Adoro o jeito como a vida segue. E segue bem, saudável, me
retribuindo sorrisos bobos no canto da boca. E toca em frente. É como um fluxo
inevitável e belo. Uma corrente forte de amor e luz. Me encanto com o modo com
que ela cuida bem de mim e me acalenta como uma criança recém nascida no mundo.
É sempre tão bom ser agraciada pelas conspirações positivas que eu, meramente
humana e pequena em meio à imensidão do universo, jamais poderia retribuir, por
mais que vivesse quinhentas outras vidas.
Estou feliz, meu Deus. Eu SOU feliz. E dá um orgulho tão
grande em pronunciar essas palavras que bato firme no peito em um gesto de pura
convicção por saber que esse é o meu momento de colher os frutos que plantei
durante o tempo e que todos eles são portadores dos sabores mais doces e
inexplicáveis, coisa que só quem está na pele da gente é capaz de descrever.
Eu estou colorindo o mundo, sou uma caixa de pincéis e
tintas ambulante. E o vermelho do meu coração bobo e tão presente em cada uma
das minhas decisões é o que mais se destaca na minha aquarela particular. Eu
poderia gritar se isso não despertasse o sono dos injustos. Logo só me resta registrar
nessas linhas em alto relevo, impressas pelo destino que hoje canta a sua mais
original canção de satisfação e felicidade, o que já me vale de grande
serventia.
Até jurei não escrever mais sobre amor, mas cá estou
relatando meu ápice de paixão pelo amor próprio agora tão meu, que hoje sou a
sua personificação. Vou bater com a cara no muro diversas vezes e me machucar, bem
o sei, mas hoje não, hoje eu me proíbo de sofrer por antecipação. Estou vivendo
de plenitude e renovação. Minha pele perdeu o que estava morto no caminho até
aqui, e, agora, regozija por poder receber cada raio de sol em sua mais
delicada camada e arrepiar-se com o fenômeno daquela que é responsável pelo que
aqui se descreve. Aquela que nunca falha: a vida.

