quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Abandonada

 
Foi ali que me deixastes, na tua cama, despida de você e vestida de saudades, ainda que pudesse devorar o teu cheiro abrigado entre os lençóis que me corriam por entre os dedos tal como cada lembrança que acelerava-se em minha mente do que se passou. Usada e embriagada da maciez da tua pele marcada pelas unhas em ti tão insaciavelmente cravadas, no que já era noite e agora se fez dia, como um ato de súplica para que tua vontade lhe fizesse sentir-se meu de verdade muito além do momento que nos ocorria.
E eu queria tanto constatar a tua adoração se fazer compatível a minha, a qual te enxergava tão além da carne e dos prazeres meramente físicos que podias me dar. Eu queria lamber tuas lágrimas quando a tristeza batesse em tua porta, e seria isto o que me faria tão mais feliz do que me entregar a tua alegria boêmia de uma só noite e nada mais. Até o meu amor próprio se materializou pra poder dialogar comigo em um desses dias, alegando a imensa saudade de habitar o meu interior.
Ali, ainda a te fitar embalado no mais pesado sono, eu já pude prever mais uma de nossas despedidas silenciosas, onde ou eu ou você sairíamos pela porta e trocaríamos um telefonema descompromissado quando a solidão tivesse por intenção algum de nós abraçar. Haveria uma mensagem de texto não respondida, um descaso casual, e, por fim, eu, iludida, apostando todas as minhas fichas de que numa próxima vez algo em você poderia me observar sob uma óptica diferente, que seus pulmões viriam a inalar a minha essência e faríamos de dois um só número.
E, ainda assim, a despeito de toda a esperança febril que me adoece de sintomas de você, sei que por mais uma vez eu havia sido abandonada, mesmo que meu corpo tenso de expectativa e rejeição ainda se enroscasse ao teu, em um emaranhado de desespero, ansiando, entorpecido, poder te dizer adeus, enquanto que o meu coração, esparramado na tua cama, difícil de juntar cada pedaço, pulsando aos acordes do teu nome, me pedia pra ficar. E eu fico, por você eu sempre fico, ainda que comigo não estejas mais.

domingo, 17 de novembro de 2013

Um Pouco Sobre Acreditar No Amor

Não direi que estou desiludida com os homens, que todos, sem a menor exceção, não prestam e que se apaixonar não vale a pena. Não quero me apegar a estes clichês. Longe de mim querer parecer uma mal amada que pragueja a torto e a direito por aí. Não é porque o meu "feliz para sempre" ainda não chegou que eu deva me dar por vencida e declarar game over antes de usar todas as vidas que me restam nesse jogo imposto entre a razão e o coração.
Não deixo de ansiar, nem por um segundo, o momento em que terei onde repousar a cabeça e me aninhar em um colo alheio e disposto a me acolher. E há tanto em mim para ser abraçado, que já nem mais culpo os que não puderam suportar toda a bagagem emocional que me vem junto como anexo. Porque eu sou feita de amor, eu sou o amor e ainda faço dele o meu amigo distante, daqueles que se troca correspondências, e que se aguarda o reencontro. Eu não desisto dele e ele não abre mão de mim. Simples. É assim que deve ser.
Babacas têm aos montes, mas estes não correspondem a todos os seres do sexo masculino da face da terra. Somos humanos. Nós, mulheres, também erramos, podemos até desmerecer aquele que poderia vir a ser o amor da nossa vida enquanto ainda nos apegamos a estereótipos pré estabelecidos pela nossa vaidade. Portanto, não cedo. Me permito até sofrer meus desencantos. Vou me lapidando e aprendendo, até que, enfim, chegue o momento em que poderei dizer, envolvida em um abraço tão cúmplice quanto o que guardo aqui dentro: que bom, eu te encontrei!

O Desafinar da Nossa Canção

Eu só queria que você soubesse que estou, neste exato momento, vendo a tua imagem estática nas fotografias de uma rede social qualquer, na tentativa de poder amenizar um pouco da saudade que canta ao meu ouvido, afinada tal como o tom da tu
a voz, daquele beijo que eu quis eternizar ainda que o tenha durado por um só momento. 
É que eu me lembro de cada nota do teu violão e do teu sorriso malicioso de menino inocente enquanto ouvia as tuas canções que me embalavam as madrugadas agora tão caladas, que gritam melodicamente a ausência que a minha inconsequência fez-se criar.
Eu queria deixar claro que apesar de eu parecer louca... Ah, não existe nenhum “apesar”, a verdade é que eu sou louca sim! Maluca ao ponto de não compreender essa coisa toda que você despertou em mim e devanear sobre aquele papo todo de me declarar como sua e a falta que pronunciar estas palavras me faz. 
Você é o tipo certo de cara errado e isso ferra com a minha mente. Tão ao ponto de me fazer preferir fugir das aventuras do parque de diversões que é adentrar a tua vida, ainda que eu espere sigilosamente receber uma chamada inesperada sua dizendo que pensou em compor uma nova música pra poder me registrar em cada letra.
É, eu bem que te falei que você também iria virar texto. É inevitável quando fica cravado no peito, não transbordar em palavras. Inevitável não querer te marcar no papel, assim como cada tatuagem que conta história na superfície da tua pele, pra tornar imortal o teu significado aqui dentro. 

Perdoa abrir mão de carregar a tua bagagem. Abri mão, na verdade, de mim mesma. 
De tanto te querer, não mais quis.