domingo, 28 de abril de 2013

Te Querer


Gostaria de te olhar fundo nos olhos e pedir para que faça jus a dimensão do que despertou em mim e dizer que sim, eu aceito me jogar sem paraquedas novamente na espera de ter você lá embaixo pronto para amortecer as dores e sequelas da minha atitude tão primitiva de me entregar sem garantias.
Queria que você soubesse que tenho dedicado os meus últimos dias a canções românticas e redundantemente melosas enquanto as ilustro com imagens estáticas suas e que está sendo divertido usar toda a minha cartela de cores mais uma vez para colorir os meus pensamentos ao mesmo tempo em que os redireciono a um novo foco.
Eu sei, sou assim. Eu assusto. Eu explodo. E os efeitos desta catástrofe são uma overdose de sentimentos atômicos, mas eu costumo fazer apenas uma vítima por vez, e o sortudo dessa roleta russa encomendada pela vida agora é você. Só te peço para entrar no jogo, porque é frustrante ganhar por W.O., e esse não é o tipo de propósito que tenho em mente agora. Talvez “ganhar”, no seu sentido mais descomplicado, não venha bem ao caso.
Você poderia fazer o favor de pedir para que os meus sonhos possam ir com mais calma? Poderia acalentar esse coração tão disparado e aflito?  Poderia se fazer presente de modo tão material quanto o meu desejo inflamado? Perceber o seu interesse, pra mim, agora, já não vem sendo mais o suficiente. Por favor, seja o diagnóstico para toda essa minha vontade exacerbada de nascença e que agora se agrava para um estado terminal de intenção de te ter.
Posso te pedir só mais uma coisa? A última de todas? Não se sinta acuado como é de costume na maioria dos casos. Por dentro eu sou mais indefesa do que aparento. Meu ego de pavão inflado não passa de uma boa camada de maquiagem fluorescente escondendo a face nua e crua da minha realidade, embarreirando toda a simplicidade estrutural que há em mim, e que, agora, resume-se a uma só finalidade: te querer.

sábado, 13 de abril de 2013

Eu sei...


Eu sei que, apesar de todo o seu sistema de blindagem, você ainda sente a minha falta em um sábado à noite qualquer. Minha mania irritante de querer saber o tamanho do amor que você sente a cada novo dia também te atormenta por agora estar ausente. Eu sinto, intimamente, a dor no seu sorriso debochado de quem quer fingir indiferença. Conheço bem o teu insucesso em buscar a alegria em noites afora enquanto só o que querias era contar com a calmaria da minha presença em uma tarde de domingo, assistindo seriados, enroscados nas cobertas, como era de costume entre nós dois.
Posso pressentir o teu suspiro pesaroso e saudoso de ouvir as minhas gargalhadas desnecessariamente altas e que, por vezes, te causavam constrangimento. Consigo até imaginar a sua relutância em jogar as minhas cartas fora e todas as lembranças estabanadas e desengonçadas que deixei na sua vida. Eu sei, e você não precisa me dizer que espera uma ligação minha, nem que seja pra saber se estou sentindo saudades.  Eu apenas posso deduzir exatamente o quanto anseias por isto.
Posso até supor que você está agora em um desses momentos pós festa de quem acabou de curtir uma “gandaia” acreditando que isso te preencheria e que se encontra altamente frustrado por continuar faltando um pedaço. Tenho a plena certeza de que, por mais que qualquer outro corpo feminino te chame a atenção, é o meu estereótipo magro que perfeitamente se encaixa ao teu, e você sabe disso e se lastima amargamente por saber.
Por mais que qualquer garota tenha classe e não se atropele nas palavras, é o meu jeito desleixado e infantil que passa a ser a sua nova busca. E sei também que você imagina quantos outros garotos me desejam sem precisar disfarçar porque agora não estás ao meu lado e te dói só de imaginar com quantos desses eu me permitira envolver uma vez que não és mais um motivo que me prenda.
Eu sei de tudo isso com a mesma certeza de que dois mais dois são quatro e posso lhe provar mesmo que você tenha o sentimento enterrado no subterrâneo do seu inconsciente, mas, para o seu azar, ele continua lá. Sei muito bem o quanto você acredita que eu sinta a mesma coisa e posso compreender toda a sua decepção ao me ouvir dizer que não e que descobri que aquilo o que eu pensava ser amor, não passava de comodismo.
Vai doer em você saber o quanto estou adorando essa fuga de rotina de ilusões a respeito do que eu sentia, e pode doer ainda mais o fato de que agora sim eu me sinto bem e preenchida por ter redescoberto o meu grande e verdadeiro amor, a mim mesma. Desculpe por ter pena de você, mas, entenda, um dia passa, tu sobreviverás, talvez não da forma que querias, mas vai dar pra ir empurrando com a barriga. Só espero que o seu amor seja honesto o suficiente para se felicitar com a minha alegria e, até diria, vá por mim, talvez esta seja a melhor alternativa, só assim não ferirá tanto mais. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Minh'alma Velha de Tão Pouca Idade



Minha alma de Amélia Moderna hoje veio  recordar das lembranças nostálgicas de um futuro que sequer ainda criou raízes, mas que nunca abandonou a sua condição de semente. E é em um solo húmido e sobrecarregado de desejo em que algum dia germinará.
Minha alma velha de uma jovem senhora de pouca idade despertou-se da realidade no desígnio de reviver um sonho constituído de incomplexidade, amor e paz e agora se alimenta vorazmente da minha esperança de concretização tal como uma criança que depende do seio materno para encontrar conforto em sua inquietação.
Sim, uma criança intervinda de meu ventre ainda tão vazio e ansioso, intermediada pelo mais nobre dos sentimentos despertados por alguém que, sabe-se lá ainda quem, possa partilhar deste presente humano constituído por células e tantos outros materiais genéticos que nada mais são do que a junção do que teríamos a doar além de todo o sentimento.                               
Minha alma tão pequena despertou-se ao ruir de um choro embriagado de inocência e da necessidade do meu querer. Minh’ alma traquina hoje regressa a me embebecer em seu cálice de afeto e vontade de reviver um sonho nato, estruturalmente proporcional a minha maior ansiedade: uma família.
Meu coração ainda jovem, bombeando sabedoria e oxigenando toda sua coerência, sussurra em sua maior sapiência: “viva, menina, ainda chegará a tua hora” e o véu de tantas lutas diárias acalenta minh’ alma até que, em seu sono mais denso e pesado, o choro se cale e também adormeça, embalando na mais singela canção de ninar a criança que eu sou com a que eu quero ter.

domingo, 7 de abril de 2013

Nós Dois

Me sinto tão insegura quando me deparo com a solidão, eu e a minha presença por si só já não basta. Dou as mãos a outra face do meu ser e guio-me por caminhos tortos existentes na imensidão interior em que habito.
"Olá?!" Por vezes me chamo a atenção. "O mundo é muito mais do que esse ponto fixo ao qual você se prende." Mas já é tarde, me perdi e me levei até você.
Você que de certo modo também reside em mim tal como uma espécie de hospedeiro que se aloja, que crava as suas raízes de um jeito tão profundo que já não sou apenas eu, sou nós dois, um ser humano no plural, um indivíduo sem individualidade.
Te abrigo de tamanho bom grado que te digo: "Você pode morar aqui para sempre se quiser, se puder..."
Isso deve ser o tal do amor. É, talvez... mas se for, que seja livre, que seja belo, que apenas seja, mas que continue sempre sendo, sempre existindo, além de apenas "eu e você", "nós dois".



sábado, 6 de abril de 2013

Devaneio Infantil



E hoje eu me senti, uma vez mais, tão como aquela garotinha de maria chiquinhas, emburrada por qualquer algum motivo infantil, ou, talvez, enroscada nas cobertas, assustada demais com o que o escuro tem para esconder, demasiada inocencia para compreender o quanto um dia viria a sentir saudades de ser este o seu mais complexo temor.
Fitar-me no espelho pendurado na parede do meu quarto pela manhã, ao acordar cedo para cumprir com as responsabilidades que agora carrego, realmente me pesou tal como sustentar toda a culpa e consequências do mundo inteiro sobre as costas. Sensação estranha demais para poder ser dimensionada por uma menina de alguns poucos anos de idade e outros tantos dentes de leite, o que logo me faz recordar do quanto costumava sofrer por apenas imaginar a próxima vez em que algum deles retornaria a amolecer, tendo assim que ser arrancado de mim, desgarrado da minha estrutura, do mesmo modo que a inocência que aos poucos se despedia com o passar de cada novo ano.
Ah, quem me dera poder papear com essa "Primícia Versão Ainda Criança". Menina, te prepara, você realmente precisa querer se entregar ao curso natural que nos impõe o crescimento algum dia, pois, no presente momento, as vésperas de completar vinte anos, chega a ser cômica a sua capacidade de devanear acerca de alguma possibilidade, mesmo que remota, de o Papai Noel realmente existir além dos seu desejo mais íntimo. Francamente...
E, ao lavar o meu rosto, ainda com o aspecto cansado pelo sono interrompido, na pia do banheiro, encarando-me no espelho, sinto que não sou mais uma criança, não pelo menos no exato momento. Bom dia, dia! O mundo lá fora me espera. Mais uma vez...