O que não rola mesmo é essa coisa de ser contida e bolar milhões
de esquemas pra fazer o cara te querer. Não dá. É que não combina comigo mesmo.
Não nasci pra joguinhos amorosos, isso destoa com a cor dos meus olhos. Sabe
como é? Acho um pé no saco ficar esperando o telefone tocar e ter que cruzar os
dedos o dia todo na esperança de uma iniciativa alheia. Isso pra mim é comer
migalhas. Ou vai ou racha. Não tenho paciência, e nem estômago, pra aguentar o
frio na barriga que dá toda a tensão que envolve o ritual manjado de conquista.
Até queria ser menos impulsiva e boicotar algumas vontades,
mas, sei lá, só não sei lidar com essa parte esquisita da vida em que temos que
fugir de nós mesmas pra parecer ser alguém legal o suficiente para se correr atrás.
Eu sou legal o suficiente mesmo jogando todas as cartas na mesa logo de
primeira, e quem quiser, ou puder sobreviver
a isso, que se disponha ou caia logo fora. Sem falsas esperanças alimentadas,
sem desilusões. Eu curto a franqueza e não vejo ingenuidade alguma nessa minha opinião
já tão formulada.
Aplaudo de pé quem articula todo um teatro bem elaborado de
desapego enquanto se corrói de vontade e saudades da presença do outro por
perto. Comigo é outra história. Não nasci pra ser atriz, apesar de tanto admirar
esse dom que envolve mil facetas e artimanhas de interpretação de uma outra
realidade e, ainda que com a minha incrível facilidade para viajar na tal da
maionese, sou do tipo difícil de me distrair quando um foco é determinado, aí o
dano já foi feito e é irreparável até que eu empenhe tudo de mim e, na pior das
hipóteses, me dê por vencida.
Nunca menti, eu assusto e até me assombro com o peso que é me
carregar para todos os lados e lugares por aí, mas comigo é assim. Ou está
disposto a ser meu auxiliar neste árduo e delicioso trabalho ou se demite. É na
lata, sem entrelinhas ou interpretações. Alguém bem que poderia me agradecer, é
válido também dizer que isso reduz muito esforço de ambas as partes, sou digna
de um Prêmio Nobel da Paz diante de tamanha bondade. Caminha do meu lado quem
bem sabe reconhecer. “Ou vem na minha, ou live alone.”

