Estou ferida, magoada e
dilacerada, mas estou sorrindo e dou graças aos céus por isso. Obrigada, Deus,
pela dor aguda que se instalou nas minhas entranhas. Obrigada pelo choro que
engulo feito cachaça das mais amargas. Obrigada por cada lágrima que derramei
até hoje e pelos socos figurativos na boca do estômago a cada manhã que
ressurjo dos meus devaneios e encaro a face suja e sangrenta da realidade.
Não, não estou sendo irônica. Eu
verdadeiramente agradeço. Esses são os sintomas mais concretos de que algo ou
alguém muito superior a minha capacidade limitada de compreensão pretende
expurgar o gosto azedo de um sentimento envelhecido e altamente radicável do meu interior e
me contento em estar preparada para ser amiga do sofrimento. Poderemos, inclusive, andar de mãos dadas
pelas esquinas do meu inconsciente até que ele se perca pra sempre.
O que me “mata” nisso tudo são os
prazos, ou melhor, a ausência deles.
“Até quando?” já virou indagação rotineira. “Amor” é palavrão, dos mais
sujos e inescrupulosos e a minha pouca fé torna-se diminuta diante da imensidão
do eu em que habito. Sou um oceano de lembranças e uma suicida diária por me
permitir afogar em cada uma delas. Mas obrigada, Deus, muito obrigada...
Pois é, estou aqui, estou bem,
estou viva. Também dói, confesso. Nessa vida, eu seria a ultima pessoa para
quem mentiria, e é com a mesma convicção da existência desse penar latejante
que assumo, dando a cara à tapa pra vida: vou ser mais feliz do que imaginei um
dia, e é sem a mínima cerimônia que eu declaro o meu mais novo apego, o clichê da frase escrita a mão em meio a uma
caligrafia trêmula, estampada na minha cabeceira e que diz: “Isso também
passará”. E, sim, vai passar. E, mais o digo, posso ainda acrescentar, que pena
de você quando isso for um fato plenamente consumado, que pena...

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