quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Abandonada

 
Foi ali que me deixastes, na tua cama, despida de você e vestida de saudades, ainda que pudesse devorar o teu cheiro abrigado entre os lençóis que me corriam por entre os dedos tal como cada lembrança que acelerava-se em minha mente do que se passou. Usada e embriagada da maciez da tua pele marcada pelas unhas em ti tão insaciavelmente cravadas, no que já era noite e agora se fez dia, como um ato de súplica para que tua vontade lhe fizesse sentir-se meu de verdade muito além do momento que nos ocorria.
E eu queria tanto constatar a tua adoração se fazer compatível a minha, a qual te enxergava tão além da carne e dos prazeres meramente físicos que podias me dar. Eu queria lamber tuas lágrimas quando a tristeza batesse em tua porta, e seria isto o que me faria tão mais feliz do que me entregar a tua alegria boêmia de uma só noite e nada mais. Até o meu amor próprio se materializou pra poder dialogar comigo em um desses dias, alegando a imensa saudade de habitar o meu interior.
Ali, ainda a te fitar embalado no mais pesado sono, eu já pude prever mais uma de nossas despedidas silenciosas, onde ou eu ou você sairíamos pela porta e trocaríamos um telefonema descompromissado quando a solidão tivesse por intenção algum de nós abraçar. Haveria uma mensagem de texto não respondida, um descaso casual, e, por fim, eu, iludida, apostando todas as minhas fichas de que numa próxima vez algo em você poderia me observar sob uma óptica diferente, que seus pulmões viriam a inalar a minha essência e faríamos de dois um só número.
E, ainda assim, a despeito de toda a esperança febril que me adoece de sintomas de você, sei que por mais uma vez eu havia sido abandonada, mesmo que meu corpo tenso de expectativa e rejeição ainda se enroscasse ao teu, em um emaranhado de desespero, ansiando, entorpecido, poder te dizer adeus, enquanto que o meu coração, esparramado na tua cama, difícil de juntar cada pedaço, pulsando aos acordes do teu nome, me pedia pra ficar. E eu fico, por você eu sempre fico, ainda que comigo não estejas mais.

domingo, 17 de novembro de 2013

Um Pouco Sobre Acreditar No Amor

Não direi que estou desiludida com os homens, que todos, sem a menor exceção, não prestam e que se apaixonar não vale a pena. Não quero me apegar a estes clichês. Longe de mim querer parecer uma mal amada que pragueja a torto e a direito por aí. Não é porque o meu "feliz para sempre" ainda não chegou que eu deva me dar por vencida e declarar game over antes de usar todas as vidas que me restam nesse jogo imposto entre a razão e o coração.
Não deixo de ansiar, nem por um segundo, o momento em que terei onde repousar a cabeça e me aninhar em um colo alheio e disposto a me acolher. E há tanto em mim para ser abraçado, que já nem mais culpo os que não puderam suportar toda a bagagem emocional que me vem junto como anexo. Porque eu sou feita de amor, eu sou o amor e ainda faço dele o meu amigo distante, daqueles que se troca correspondências, e que se aguarda o reencontro. Eu não desisto dele e ele não abre mão de mim. Simples. É assim que deve ser.
Babacas têm aos montes, mas estes não correspondem a todos os seres do sexo masculino da face da terra. Somos humanos. Nós, mulheres, também erramos, podemos até desmerecer aquele que poderia vir a ser o amor da nossa vida enquanto ainda nos apegamos a estereótipos pré estabelecidos pela nossa vaidade. Portanto, não cedo. Me permito até sofrer meus desencantos. Vou me lapidando e aprendendo, até que, enfim, chegue o momento em que poderei dizer, envolvida em um abraço tão cúmplice quanto o que guardo aqui dentro: que bom, eu te encontrei!

O Desafinar da Nossa Canção

Eu só queria que você soubesse que estou, neste exato momento, vendo a tua imagem estática nas fotografias de uma rede social qualquer, na tentativa de poder amenizar um pouco da saudade que canta ao meu ouvido, afinada tal como o tom da tu
a voz, daquele beijo que eu quis eternizar ainda que o tenha durado por um só momento. 
É que eu me lembro de cada nota do teu violão e do teu sorriso malicioso de menino inocente enquanto ouvia as tuas canções que me embalavam as madrugadas agora tão caladas, que gritam melodicamente a ausência que a minha inconsequência fez-se criar.
Eu queria deixar claro que apesar de eu parecer louca... Ah, não existe nenhum “apesar”, a verdade é que eu sou louca sim! Maluca ao ponto de não compreender essa coisa toda que você despertou em mim e devanear sobre aquele papo todo de me declarar como sua e a falta que pronunciar estas palavras me faz. 
Você é o tipo certo de cara errado e isso ferra com a minha mente. Tão ao ponto de me fazer preferir fugir das aventuras do parque de diversões que é adentrar a tua vida, ainda que eu espere sigilosamente receber uma chamada inesperada sua dizendo que pensou em compor uma nova música pra poder me registrar em cada letra.
É, eu bem que te falei que você também iria virar texto. É inevitável quando fica cravado no peito, não transbordar em palavras. Inevitável não querer te marcar no papel, assim como cada tatuagem que conta história na superfície da tua pele, pra tornar imortal o teu significado aqui dentro. 

Perdoa abrir mão de carregar a tua bagagem. Abri mão, na verdade, de mim mesma. 
De tanto te querer, não mais quis.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Re-amar

E lá vamos nós, eu e o meu coração, de novo, fazendo as malas para uma nova viagem. Meu grande parceiro de aventuras resolveu dar o seu "alô" novamente, trazendo algumas doses de esperança pra a gente se embebedar a noite inteira e um pouco de medo para servir de freio e petiscar enquanto não voltamos à sobriedade.
A gente decidiu ser amigos mais uma vez, se dar essa chance. Deixar de lado desafetos passados e caminhar de mãos dadas como um casal bem resolvido, daqueles que faz planos futuros. Fizemos um pacto, selamos contratos, juramos amor eterno e, ainda como se não bastasse, o bendito me trouxe, embaladinho pra presente, um alguém.
Está na hora de abrir mão da autossabotagem, deixar de lado as simulações, despir as armaduras. Eis o momento de dar voz àquilo o que incandesce dentro de mim sempre que o mundo fica escuro lá fora. Encontra-se, pois, presente o instante de permitir que eu e o meu coração possamos fechar os olhos bem apertado e pedir, em forma de súplica, agarrando-nos ao último fio de esperança, para que a nossa complexidade, venha a ser, portanto, abraçada.


Que cada batida sua seja compreendida, que cada pulsar seja bem interpretado, que se acelere por motivos nobres, e que, enfim, me faça feliz. Amém.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Teatro Particular

E até quem me vê em cima de um salto alto finíssimo, com sorriso vermelho de batom estampado no rosto, sabe que me falta você. É inevitável deixar de perceber um ser humano faltando um pedaço, carregando sua dor pra todos os lados, gritando silenciosamente a ausência que um outro deixou.
Até o meu caminhar denuncia a minha carência de equilíbrio sem o campo gravitacional que me cercava quando eu o tinha por perto e, por mais que eu ande firme, desfilando todo o meu amor próprio e segurança, não há quem não prestigie de pé o meu teatro barato, ainda que bem articulado, e idolatre o personagem digno de Oscar de mulher bem resolvida que criei pra mim.
E mesmo que o meu corpo reclame o abandono do teu, é com outros toques e outras peles que eu vou me enganando até que um dia eu possa me convencer. É com esse sorriso debochado na face e batendo forte no peito que vou  montando meu discurso fraudado de que eu não mais preciso de você. E é fingindo indiferença enquanto eu te amo sufocada, que digo em alto e bom tom que te querer é vontade perdida no passado.

Aplausos. Que se fechem as cortinas, eis aqui, então, a minha melhor atuação.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

“Ou vem na minha, ou live alone”

O que não rola mesmo é essa coisa de ser contida e bolar milhões de esquemas pra fazer o cara te querer. Não dá. É que não combina comigo mesmo. Não nasci pra joguinhos amorosos, isso destoa com a cor dos meus olhos. Sabe como é? Acho um pé no saco ficar esperando o telefone tocar e ter que cruzar os dedos o dia todo na esperança de uma iniciativa alheia. Isso pra mim é comer migalhas. Ou vai ou racha. Não tenho paciência, e nem estômago, pra aguentar o frio na barriga que dá toda a tensão que envolve o ritual manjado de conquista.
Até queria ser menos impulsiva e boicotar algumas vontades, mas, sei lá, só não sei lidar com essa parte esquisita da vida em que temos que fugir de nós mesmas pra parecer ser alguém legal o suficiente para se correr atrás. Eu sou legal o suficiente mesmo jogando todas as cartas na mesa logo de primeira, e quem quiser, ou puder  sobreviver a isso, que se disponha ou caia logo fora. Sem falsas esperanças alimentadas, sem desilusões. Eu curto a franqueza e não vejo ingenuidade alguma nessa minha opinião já tão formulada.
Aplaudo de pé quem articula todo um teatro bem elaborado de desapego enquanto se corrói de vontade e saudades da presença do outro por perto. Comigo é outra história. Não nasci pra ser atriz, apesar de tanto admirar esse dom que envolve mil facetas e artimanhas de interpretação de uma outra realidade e, ainda que com a minha incrível facilidade para viajar na tal da maionese, sou do tipo difícil de me distrair quando um foco é determinado, aí o dano já foi feito e é irreparável até que eu empenhe tudo de mim e, na pior das hipóteses, me dê por vencida.
Nunca menti, eu assusto e até me assombro com o peso que é me carregar para todos os lados e lugares por aí, mas comigo é assim. Ou está disposto a ser meu auxiliar neste árduo e delicioso trabalho ou se demite. É na lata, sem entrelinhas ou interpretações. Alguém bem que poderia me agradecer, é válido também dizer que isso reduz muito esforço de ambas as partes, sou digna de um Prêmio Nobel da Paz diante de tamanha bondade. Caminha do meu lado quem bem sabe reconhecer. “Ou vem na minha, ou live alone.”

terça-feira, 9 de julho de 2013

Me Ser

É que dá um orgulho tão grande de morar aqui dentro de mim, que eu jamais abriria mão do meu amor próprio por nada, nem por qualquer situação. É por cada detalhe que constitui o quebra cabeças da minha existência, que faço questão de manter-me sã para que eu nunca os esqueça. É por todos os sentimentos que valsam no meu peito, que eu me respeito, ao sentir a pureza que cada um destes contém, e que, por mais obscuro que alguns pareçam, quando superficialmente encarados de longe, de perto nada mais são do que uma casca de proteção para poupar de qualquer ruptura um núcleo inabalado.
É essa vontade de abraçar a mim mesma cada vez que me olho no espelho, que mantém o meu sorriso estampado de batom vermelho no rosto ainda intacto. É pela certeza de que eu não escolheria ser qualquer outro alguém no mundo além de mim, que eu sigo em frente, embriagando-me de cada sensação exacerbada que carrego da vida, sustentando a responsabilidade de ser quem sou sem medidas, aparando arestas contidas, me cuidando tal como mereço.
É por lembrar daquele beijo, daquela palavra não dita, de até onde me limitei chegar para não ferir os meus princípios e tudo o mais o que eu me permiti para me fazer feliz, que posso calcular com a exatidão do mais preciso matemático o quanto sou uma perfeita moradia para mim mesma, apesar da bagunça que as vezes insiste em se fazer presente, mas que, ainda assim, sem muito esforço se ajeita. Nada melhor do que tirar alguns retratos da gaveta e ver o prazer imenso de cada momento registrado ainda que de forma estática em cada fotografia para curar qualquer impressão negativa habitada no passado.
É pelos amigos e amores que colecionei na vida, que eu posso sustentar veementemente a minha teoria de que nada seria danoso o suficiente para me derrubar. É estando agradecida seja a Deus ou a Oxalá, que amanheço e faço uma prece pra Ele me cuidar. É envolta pelo cantarolar sereno de uma melodia compassada que rege os meus dias, que fecho os olhos e me entrego ao adormecer, recitando, quase que como um mantra, as singelas palavras que o que sinto tão bem sabem descrever: obrigada, Céus, muito obrigada. Como é bom amar cada pedacinho meu, como é bom ser eu.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Me Permitir...


Você sabe que tem alguma coisa se encaminhando para a beira do precipício quando aquela música sobre amores errados começa a fazer sentido. Você sabe que tem algo mais errado ainda consigo mesma quando, mesmo ciente disto, segue em frente e salta sem a menor cerimônia.
Que tipo de ser humano sádico sou eu? Existe alguma classificação plausível para tudo isso? A minha loucura interior encontra sempre explicações tão igualmente insanas as quais eu me prendo como se disso me dependesse a vida.  A minha loucura justifica tudo, até que eu me revolte contra ela e a julgue por todas as suas artimanhas de manipulação enquanto eu me fingia de inocente só para ter a quem culpar no final das contas.
Seguir adiante com um sentimento condenado aos seus dias finais já previamente embalados por soluços e indagações nunca fez muito o meu tipo e, mesmo me crucificando por isto, sinto que vale a pena todo o desfecho digno de enredo de novela mexicana se eu puder viver ao menos breves segundos do que hoje faz moradia em mim. Talvez porque seja algo que tenha nascido livre, nada intencionado a apagar o passado e assassinar memórias.
Eu que dedicava meus dias a arquitetar mil maneiras de despistar fragmentos de um outro alguém, me vejo agora ansiando por um outro “outro alguém” que nada tem a se relacionar com as minhas tramoias e boicotes emocionais. Não existe mais um pretérito imperfeito a ser deletado. Existe uma nova perspectiva a se viver, e a ausência de amarras, atreladas ao meu desatino, que ocupa 70% da minha estrutura, me faz sentir que pode valer a pena agora que não há passado, agora que posso me reinventar.
Taí, me decidi. Vou dançar essa dança mesmo sem saber da coreografia. Vou me deliciar deste prato sem mesmo ter a menor intuição de quais sejam seus ingredientes e vou entrar nesse barco condenado a afundar ainda que sem saber o seu itinerário. Eu vou me esbaldar dessa sensação de liberdade que me prende a um novo foco. Quero sair sem guarda chuva mesmo que existam grandes possibilidades de um temporal quase que a nível catastrófico. Eu vou viver o que há pra viver e, tal como a diz a música do Jota Quest, eu vou me permitir.

sábado, 25 de maio de 2013

Renovação



Adoro o jeito como a vida segue. E segue bem, saudável, me retribuindo sorrisos bobos no canto da boca. E toca em frente. É como um fluxo inevitável e belo. Uma corrente forte de amor e luz. Me encanto com o modo com que ela cuida bem de mim e me acalenta como uma criança recém nascida no mundo. É sempre tão bom ser agraciada pelas conspirações positivas que eu, meramente humana e pequena em meio à imensidão do universo, jamais poderia retribuir, por mais que vivesse quinhentas outras vidas.
Estou feliz, meu Deus. Eu SOU feliz. E dá um orgulho tão grande em pronunciar essas palavras que bato firme no peito em um gesto de pura convicção por saber que esse é o meu momento de colher os frutos que plantei durante o tempo e que todos eles são portadores dos sabores mais doces e inexplicáveis, coisa que só quem está na pele da gente é capaz de descrever.
Eu estou colorindo o mundo, sou uma caixa de pincéis e tintas ambulante. E o vermelho do meu coração bobo e tão presente em cada uma das minhas decisões é o que mais se destaca na minha aquarela particular. Eu poderia gritar se isso não despertasse o sono dos injustos. Logo só me resta registrar nessas linhas em alto relevo, impressas pelo destino que hoje canta a sua mais original canção de satisfação e felicidade, o que já me vale de grande serventia.
Até jurei não escrever mais sobre amor, mas cá estou relatando meu ápice de paixão pelo amor próprio agora tão meu, que hoje sou a sua personificação. Vou bater com a cara no muro diversas vezes e me machucar, bem o sei, mas hoje não, hoje eu me proíbo de sofrer por antecipação. Estou vivendo de plenitude e renovação. Minha pele perdeu o que estava morto no caminho até aqui, e, agora, regozija por poder receber cada raio de sol em sua mais delicada camada e arrepiar-se com o fenômeno daquela que é responsável pelo que aqui se descreve. Aquela que nunca falha: a vida.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Lástima de Agradecimento


Estou ferida, magoada e dilacerada, mas estou sorrindo e dou graças aos céus por isso. Obrigada, Deus, pela dor aguda que se instalou nas minhas entranhas. Obrigada pelo choro que engulo feito cachaça das mais amargas. Obrigada por cada lágrima que derramei até hoje e pelos socos figurativos na boca do estômago a cada manhã que ressurjo dos meus devaneios e encaro a face suja e sangrenta da realidade.
Não, não estou sendo irônica. Eu verdadeiramente agradeço. Esses são os sintomas mais concretos de que algo ou alguém muito superior a minha capacidade limitada de compreensão pretende expurgar o gosto azedo de um sentimento envelhecido e altamente radicável do meu interior e me contento em estar preparada para ser amiga do sofrimento.  Poderemos, inclusive, andar de mãos dadas pelas esquinas do meu inconsciente até que ele se perca pra sempre.
O que me “mata” nisso tudo são os prazos, ou melhor, a ausência deles.  “Até quando?” já virou indagação rotineira. “Amor” é palavrão, dos mais sujos e inescrupulosos e a minha pouca fé torna-se diminuta diante da imensidão do eu em que habito. Sou um oceano de lembranças e uma suicida diária por me permitir afogar em cada uma delas. Mas obrigada, Deus, muito obrigada...
Pois é, estou aqui, estou bem, estou viva. Também dói, confesso. Nessa vida, eu seria a ultima pessoa para quem mentiria, e é com a mesma convicção da existência desse penar latejante que assumo, dando a cara à tapa pra vida: vou ser mais feliz do que imaginei um dia, e é sem a mínima cerimônia que eu declaro o meu mais novo apego,  o clichê da frase escrita a mão em meio a uma caligrafia trêmula, estampada na minha cabeceira e que diz: “Isso também passará”. E, sim, vai passar. E, mais o digo, posso ainda acrescentar, que pena de você quando isso for um fato plenamente consumado, que pena...

domingo, 28 de abril de 2013

Te Querer


Gostaria de te olhar fundo nos olhos e pedir para que faça jus a dimensão do que despertou em mim e dizer que sim, eu aceito me jogar sem paraquedas novamente na espera de ter você lá embaixo pronto para amortecer as dores e sequelas da minha atitude tão primitiva de me entregar sem garantias.
Queria que você soubesse que tenho dedicado os meus últimos dias a canções românticas e redundantemente melosas enquanto as ilustro com imagens estáticas suas e que está sendo divertido usar toda a minha cartela de cores mais uma vez para colorir os meus pensamentos ao mesmo tempo em que os redireciono a um novo foco.
Eu sei, sou assim. Eu assusto. Eu explodo. E os efeitos desta catástrofe são uma overdose de sentimentos atômicos, mas eu costumo fazer apenas uma vítima por vez, e o sortudo dessa roleta russa encomendada pela vida agora é você. Só te peço para entrar no jogo, porque é frustrante ganhar por W.O., e esse não é o tipo de propósito que tenho em mente agora. Talvez “ganhar”, no seu sentido mais descomplicado, não venha bem ao caso.
Você poderia fazer o favor de pedir para que os meus sonhos possam ir com mais calma? Poderia acalentar esse coração tão disparado e aflito?  Poderia se fazer presente de modo tão material quanto o meu desejo inflamado? Perceber o seu interesse, pra mim, agora, já não vem sendo mais o suficiente. Por favor, seja o diagnóstico para toda essa minha vontade exacerbada de nascença e que agora se agrava para um estado terminal de intenção de te ter.
Posso te pedir só mais uma coisa? A última de todas? Não se sinta acuado como é de costume na maioria dos casos. Por dentro eu sou mais indefesa do que aparento. Meu ego de pavão inflado não passa de uma boa camada de maquiagem fluorescente escondendo a face nua e crua da minha realidade, embarreirando toda a simplicidade estrutural que há em mim, e que, agora, resume-se a uma só finalidade: te querer.

sábado, 13 de abril de 2013

Eu sei...


Eu sei que, apesar de todo o seu sistema de blindagem, você ainda sente a minha falta em um sábado à noite qualquer. Minha mania irritante de querer saber o tamanho do amor que você sente a cada novo dia também te atormenta por agora estar ausente. Eu sinto, intimamente, a dor no seu sorriso debochado de quem quer fingir indiferença. Conheço bem o teu insucesso em buscar a alegria em noites afora enquanto só o que querias era contar com a calmaria da minha presença em uma tarde de domingo, assistindo seriados, enroscados nas cobertas, como era de costume entre nós dois.
Posso pressentir o teu suspiro pesaroso e saudoso de ouvir as minhas gargalhadas desnecessariamente altas e que, por vezes, te causavam constrangimento. Consigo até imaginar a sua relutância em jogar as minhas cartas fora e todas as lembranças estabanadas e desengonçadas que deixei na sua vida. Eu sei, e você não precisa me dizer que espera uma ligação minha, nem que seja pra saber se estou sentindo saudades.  Eu apenas posso deduzir exatamente o quanto anseias por isto.
Posso até supor que você está agora em um desses momentos pós festa de quem acabou de curtir uma “gandaia” acreditando que isso te preencheria e que se encontra altamente frustrado por continuar faltando um pedaço. Tenho a plena certeza de que, por mais que qualquer outro corpo feminino te chame a atenção, é o meu estereótipo magro que perfeitamente se encaixa ao teu, e você sabe disso e se lastima amargamente por saber.
Por mais que qualquer garota tenha classe e não se atropele nas palavras, é o meu jeito desleixado e infantil que passa a ser a sua nova busca. E sei também que você imagina quantos outros garotos me desejam sem precisar disfarçar porque agora não estás ao meu lado e te dói só de imaginar com quantos desses eu me permitira envolver uma vez que não és mais um motivo que me prenda.
Eu sei de tudo isso com a mesma certeza de que dois mais dois são quatro e posso lhe provar mesmo que você tenha o sentimento enterrado no subterrâneo do seu inconsciente, mas, para o seu azar, ele continua lá. Sei muito bem o quanto você acredita que eu sinta a mesma coisa e posso compreender toda a sua decepção ao me ouvir dizer que não e que descobri que aquilo o que eu pensava ser amor, não passava de comodismo.
Vai doer em você saber o quanto estou adorando essa fuga de rotina de ilusões a respeito do que eu sentia, e pode doer ainda mais o fato de que agora sim eu me sinto bem e preenchida por ter redescoberto o meu grande e verdadeiro amor, a mim mesma. Desculpe por ter pena de você, mas, entenda, um dia passa, tu sobreviverás, talvez não da forma que querias, mas vai dar pra ir empurrando com a barriga. Só espero que o seu amor seja honesto o suficiente para se felicitar com a minha alegria e, até diria, vá por mim, talvez esta seja a melhor alternativa, só assim não ferirá tanto mais. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Minh'alma Velha de Tão Pouca Idade



Minha alma de Amélia Moderna hoje veio  recordar das lembranças nostálgicas de um futuro que sequer ainda criou raízes, mas que nunca abandonou a sua condição de semente. E é em um solo húmido e sobrecarregado de desejo em que algum dia germinará.
Minha alma velha de uma jovem senhora de pouca idade despertou-se da realidade no desígnio de reviver um sonho constituído de incomplexidade, amor e paz e agora se alimenta vorazmente da minha esperança de concretização tal como uma criança que depende do seio materno para encontrar conforto em sua inquietação.
Sim, uma criança intervinda de meu ventre ainda tão vazio e ansioso, intermediada pelo mais nobre dos sentimentos despertados por alguém que, sabe-se lá ainda quem, possa partilhar deste presente humano constituído por células e tantos outros materiais genéticos que nada mais são do que a junção do que teríamos a doar além de todo o sentimento.                               
Minha alma tão pequena despertou-se ao ruir de um choro embriagado de inocência e da necessidade do meu querer. Minh’ alma traquina hoje regressa a me embebecer em seu cálice de afeto e vontade de reviver um sonho nato, estruturalmente proporcional a minha maior ansiedade: uma família.
Meu coração ainda jovem, bombeando sabedoria e oxigenando toda sua coerência, sussurra em sua maior sapiência: “viva, menina, ainda chegará a tua hora” e o véu de tantas lutas diárias acalenta minh’ alma até que, em seu sono mais denso e pesado, o choro se cale e também adormeça, embalando na mais singela canção de ninar a criança que eu sou com a que eu quero ter.

domingo, 7 de abril de 2013

Nós Dois

Me sinto tão insegura quando me deparo com a solidão, eu e a minha presença por si só já não basta. Dou as mãos a outra face do meu ser e guio-me por caminhos tortos existentes na imensidão interior em que habito.
"Olá?!" Por vezes me chamo a atenção. "O mundo é muito mais do que esse ponto fixo ao qual você se prende." Mas já é tarde, me perdi e me levei até você.
Você que de certo modo também reside em mim tal como uma espécie de hospedeiro que se aloja, que crava as suas raízes de um jeito tão profundo que já não sou apenas eu, sou nós dois, um ser humano no plural, um indivíduo sem individualidade.
Te abrigo de tamanho bom grado que te digo: "Você pode morar aqui para sempre se quiser, se puder..."
Isso deve ser o tal do amor. É, talvez... mas se for, que seja livre, que seja belo, que apenas seja, mas que continue sempre sendo, sempre existindo, além de apenas "eu e você", "nós dois".



sábado, 6 de abril de 2013

Devaneio Infantil



E hoje eu me senti, uma vez mais, tão como aquela garotinha de maria chiquinhas, emburrada por qualquer algum motivo infantil, ou, talvez, enroscada nas cobertas, assustada demais com o que o escuro tem para esconder, demasiada inocencia para compreender o quanto um dia viria a sentir saudades de ser este o seu mais complexo temor.
Fitar-me no espelho pendurado na parede do meu quarto pela manhã, ao acordar cedo para cumprir com as responsabilidades que agora carrego, realmente me pesou tal como sustentar toda a culpa e consequências do mundo inteiro sobre as costas. Sensação estranha demais para poder ser dimensionada por uma menina de alguns poucos anos de idade e outros tantos dentes de leite, o que logo me faz recordar do quanto costumava sofrer por apenas imaginar a próxima vez em que algum deles retornaria a amolecer, tendo assim que ser arrancado de mim, desgarrado da minha estrutura, do mesmo modo que a inocência que aos poucos se despedia com o passar de cada novo ano.
Ah, quem me dera poder papear com essa "Primícia Versão Ainda Criança". Menina, te prepara, você realmente precisa querer se entregar ao curso natural que nos impõe o crescimento algum dia, pois, no presente momento, as vésperas de completar vinte anos, chega a ser cômica a sua capacidade de devanear acerca de alguma possibilidade, mesmo que remota, de o Papai Noel realmente existir além dos seu desejo mais íntimo. Francamente...
E, ao lavar o meu rosto, ainda com o aspecto cansado pelo sono interrompido, na pia do banheiro, encarando-me no espelho, sinto que não sou mais uma criança, não pelo menos no exato momento. Bom dia, dia! O mundo lá fora me espera. Mais uma vez...