É que dá um orgulho tão grande de
morar aqui dentro de mim, que eu jamais abriria mão do meu amor próprio por
nada, nem por qualquer situação. É por cada detalhe que constitui o quebra
cabeças da minha existência, que faço questão de manter-me sã para que eu nunca
os esqueça. É por todos os sentimentos que valsam no meu peito, que eu me
respeito, ao sentir a pureza que cada um destes contém, e que, por mais obscuro
que alguns pareçam, quando superficialmente encarados de longe, de perto nada
mais são do que uma casca de proteção para poupar de qualquer ruptura um núcleo
inabalado.
É essa vontade de abraçar a mim mesma
cada vez que me olho no espelho, que mantém o meu sorriso estampado de batom
vermelho no rosto ainda intacto. É pela certeza de que eu não escolheria ser
qualquer outro alguém no mundo além de mim, que eu sigo em frente, embriagando-me
de cada sensação exacerbada que carrego da vida, sustentando a responsabilidade
de ser quem sou sem medidas, aparando arestas contidas, me cuidando tal como
mereço.
É por lembrar daquele beijo, daquela
palavra não dita, de até onde me limitei chegar para não ferir os meus
princípios e tudo o mais o que eu me permiti para me fazer feliz, que posso
calcular com a exatidão do mais preciso matemático o quanto sou uma perfeita
moradia para mim mesma, apesar da bagunça que as vezes insiste em se fazer
presente, mas que, ainda assim, sem muito esforço se ajeita. Nada melhor do que
tirar alguns retratos da gaveta e ver o prazer imenso de cada momento
registrado ainda que de forma estática em cada fotografia para curar qualquer
impressão negativa habitada no passado.
É pelos amigos e amores que
colecionei na vida, que eu posso sustentar veementemente a minha teoria de que
nada seria danoso o suficiente para me derrubar. É estando agradecida seja a
Deus ou a Oxalá, que amanheço e faço uma prece pra Ele me cuidar. É envolta
pelo cantarolar sereno de uma melodia compassada que rege os meus dias, que
fecho os olhos e me entrego ao adormecer, recitando, quase que como um mantra, as
singelas palavras que o que sinto tão bem sabem descrever: obrigada, Céus,
muito obrigada. Como é bom amar cada pedacinho meu, como é bom ser eu.
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