E
até quem me vê em cima de um salto alto finíssimo, com sorriso vermelho de
batom estampado no rosto, sabe que me falta você. É inevitável deixar de
perceber um ser humano faltando um pedaço, carregando sua dor pra todos os lados,
gritando silenciosamente a ausência que um outro deixou.
Até
o meu caminhar denuncia a minha carência de equilíbrio sem o campo
gravitacional que me cercava quando eu o tinha por perto e, por mais que eu ande
firme, desfilando todo o meu amor próprio e segurança, não há quem não prestigie
de pé o meu teatro barato, ainda que bem articulado, e idolatre o personagem
digno de Oscar de mulher bem resolvida que criei pra mim.
E
mesmo que o meu corpo reclame o abandono do teu, é com outros toques e outras
peles que eu vou me enganando até que um dia eu possa me convencer. É com esse sorriso
debochado na face e batendo forte no peito que vou montando meu discurso fraudado de que eu não
mais preciso de você. E é fingindo indiferença enquanto eu te amo sufocada, que
digo em alto e bom tom que te querer é vontade perdida no passado.
Aplausos.
Que se fechem as cortinas, eis aqui, então, a minha melhor atuação.
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