quarta-feira, 4 de novembro de 2015


Vai lá e sussurra aos ouvidos daquela menina de 15 anos, assombrada pelos efeitos do seu primeiro beijo, que do amor não se esquiva. Conta pra ela que foi ali, no meio daquela festa em que tudo saiu como o programado, onde se deu o selar do contrato irrevogável, renovável a cada batimento enérgico de dois corações ainda jovens, imaturos e aflitos. Pega a menina pela mão e diz que é preciso lhe contar um segredo, a faça entender que esse ritmo dançante, comparado ao de uma sambista em plena passarela, habitado em seu peito, é o que regerá a sua vida dali por diante. Diz ainda que a dançarina cambaleia e perde o passo independente de quantas sejam as vezes em que ela virá a soltar da mão do menino o qual o primeiro momento do encontrar dos olhos não lhe abandona a memória. Vai, corre e berra chacoalhando-a pelos ombros magricelos, pronuncia qualquer palavra que faça aquela cabecinha de vento, orgulhosa em demasia para a sua idade, decifrar, mesmo que com algum esforço, que será naqueles braços os quais ela desejará se enroscar cada vez que a noite lhe parecer escura demais, ou os seus sonhos teimem em não tornarem-se reais, ou que o fardo de viver seja pesado e machuquem as suas costas. Manda um bilhete, escreve uma história... Fala pra ela do futuro. Diz que aquele amor que agora lhe surge como novidade, continua a fazer parte da alma de uma mulher que hoje vivencia os seus vinte e poucos anos, a qual aprendeu, ainda que sem nenhum conselho, que pra ser feliz não se espera.


Vai lá e diz a ela que ela encontrou o amor de verdade, diz a ela...

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