Aquela não era eu, aquela era uma menina que fingia se enquadrar em coisas que não lhe cabiam, não se adequavam, não encaixavam, não batiam! Deixe-me explicar. É que eu não nasci emocionalmente ajustada para esse mundo em que tudo é tratado com tão pouco empenho quando o assunto é coração. Porém, até pouco tempo eu tentava fingir que sim, sem a menor margem de sucesso, mas fingia.
Eu pensei que depois de uma certa idade a gente aprendia a não mais se decepcionar e transformar o coração em pedra de gelo, o que não passou de um mero devaneio descabido meu e caí na real de quem eu realmente era: uma romântica nata e imutável, não dá mesmo pra fugir do que somos.As pessoas têm preguiça de amar e, com isso, banalizam pequenos (grandes) gestos essenciais. É tão raro alguém declarar seus sentimentos de peito aberto, olhar nos olhos do outro e dizer "ei, você é importante pra mim" ou "sabia que eu gosto mesmo de você?". Fizeram do amar um jogo de egos, uma competição onde aquele que consegue parecer menos interessado vence. Tudo tão mecânico e superficial, e eu tenho tanta coisa morando no peito, uma cidade inteira de coisas, sentimentos e momentos guardados em mim, enquanto que essa gente parece um recipiente humano comportando grandes vazios em seu interior. É estranho.
Veja bem, é dito por aí que um beijo não é nada. Nada é nada, um beijo é um beijo, e cada coisa tem um significado. Beijo é encontro de almas, troca de energias. Ora, é ao menos pra mim, que talvez não seja um ser desse mundo mesmo. Hello! Marte falando para o planeta Terra: algum marciano perdido nesse lugar maluco também? Deve ter, sempre há. Parte integrante de uma espécie quase extinta, mas há.
Apesar dos pesares, acreditar ainda vale a pena.

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