Eu acho engraçado o tal do amor. A gente tem sede da presença do outro, sentimos fome de um beijo, carência de um gesto. A gente deposita um sentimento tão bom e devastador ao mesmo tempo em alguem que é só... um alguém (!). É tão alguém quanto nós mesmos, e ainda assim nos faz sentir incompletos quando por algum contratempo, seja passageiro ou eterno, a vida vem a afastar o alguém em questão da gente. Sempre fui intrigada com isso. O outro é só o outro que aparece de repente, nem sequer é parente, é só um ser humano complexo, inseguro e tão estranho quanto todos nós somos e, ainda assim, vemos o mundo inteiro girar naquele ponto fixo que, talvez, por alguma distração do destino, poderíamos nem sequer ter conhecido. Mas aí então a gente conhece. E todos os pólos do planeta se conectam. E a gente se aquece por dentro com o calor que vem de outra pessoa. Esquisito, não é? Eu acho. Acho, na verdade, um enigma grandioso toda essa necessidade de se ter alguém do lado, mas esse alguém só verdadeiramente importa enquanto for o tal alguém, até que surja um outro e se torne o alguém de novo e o ciclo vicioso acontece. É isso! O amor é vício. Vício que nasce dentro do peito sem que ao menos se precise experimentar para que em seguida venha a fase de dependência. O amor é. Simplesmente é e continuará sendo. Sem definições. O amor é mistério. Entendeu? Nem eu. Não ainda.

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