domingo, 17 de novembro de 2013

O Desafinar da Nossa Canção

Eu só queria que você soubesse que estou, neste exato momento, vendo a tua imagem estática nas fotografias de uma rede social qualquer, na tentativa de poder amenizar um pouco da saudade que canta ao meu ouvido, afinada tal como o tom da tu
a voz, daquele beijo que eu quis eternizar ainda que o tenha durado por um só momento. 
É que eu me lembro de cada nota do teu violão e do teu sorriso malicioso de menino inocente enquanto ouvia as tuas canções que me embalavam as madrugadas agora tão caladas, que gritam melodicamente a ausência que a minha inconsequência fez-se criar.
Eu queria deixar claro que apesar de eu parecer louca... Ah, não existe nenhum “apesar”, a verdade é que eu sou louca sim! Maluca ao ponto de não compreender essa coisa toda que você despertou em mim e devanear sobre aquele papo todo de me declarar como sua e a falta que pronunciar estas palavras me faz. 
Você é o tipo certo de cara errado e isso ferra com a minha mente. Tão ao ponto de me fazer preferir fugir das aventuras do parque de diversões que é adentrar a tua vida, ainda que eu espere sigilosamente receber uma chamada inesperada sua dizendo que pensou em compor uma nova música pra poder me registrar em cada letra.
É, eu bem que te falei que você também iria virar texto. É inevitável quando fica cravado no peito, não transbordar em palavras. Inevitável não querer te marcar no papel, assim como cada tatuagem que conta história na superfície da tua pele, pra tornar imortal o teu significado aqui dentro. 

Perdoa abrir mão de carregar a tua bagagem. Abri mão, na verdade, de mim mesma. 
De tanto te querer, não mais quis.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Re-amar

E lá vamos nós, eu e o meu coração, de novo, fazendo as malas para uma nova viagem. Meu grande parceiro de aventuras resolveu dar o seu "alô" novamente, trazendo algumas doses de esperança pra a gente se embebedar a noite inteira e um pouco de medo para servir de freio e petiscar enquanto não voltamos à sobriedade.
A gente decidiu ser amigos mais uma vez, se dar essa chance. Deixar de lado desafetos passados e caminhar de mãos dadas como um casal bem resolvido, daqueles que faz planos futuros. Fizemos um pacto, selamos contratos, juramos amor eterno e, ainda como se não bastasse, o bendito me trouxe, embaladinho pra presente, um alguém.
Está na hora de abrir mão da autossabotagem, deixar de lado as simulações, despir as armaduras. Eis o momento de dar voz àquilo o que incandesce dentro de mim sempre que o mundo fica escuro lá fora. Encontra-se, pois, presente o instante de permitir que eu e o meu coração possamos fechar os olhos bem apertado e pedir, em forma de súplica, agarrando-nos ao último fio de esperança, para que a nossa complexidade, venha a ser, portanto, abraçada.


Que cada batida sua seja compreendida, que cada pulsar seja bem interpretado, que se acelere por motivos nobres, e que, enfim, me faça feliz. Amém.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Teatro Particular

E até quem me vê em cima de um salto alto finíssimo, com sorriso vermelho de batom estampado no rosto, sabe que me falta você. É inevitável deixar de perceber um ser humano faltando um pedaço, carregando sua dor pra todos os lados, gritando silenciosamente a ausência que um outro deixou.
Até o meu caminhar denuncia a minha carência de equilíbrio sem o campo gravitacional que me cercava quando eu o tinha por perto e, por mais que eu ande firme, desfilando todo o meu amor próprio e segurança, não há quem não prestigie de pé o meu teatro barato, ainda que bem articulado, e idolatre o personagem digno de Oscar de mulher bem resolvida que criei pra mim.
E mesmo que o meu corpo reclame o abandono do teu, é com outros toques e outras peles que eu vou me enganando até que um dia eu possa me convencer. É com esse sorriso debochado na face e batendo forte no peito que vou  montando meu discurso fraudado de que eu não mais preciso de você. E é fingindo indiferença enquanto eu te amo sufocada, que digo em alto e bom tom que te querer é vontade perdida no passado.

Aplausos. Que se fechem as cortinas, eis aqui, então, a minha melhor atuação.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

“Ou vem na minha, ou live alone”

O que não rola mesmo é essa coisa de ser contida e bolar milhões de esquemas pra fazer o cara te querer. Não dá. É que não combina comigo mesmo. Não nasci pra joguinhos amorosos, isso destoa com a cor dos meus olhos. Sabe como é? Acho um pé no saco ficar esperando o telefone tocar e ter que cruzar os dedos o dia todo na esperança de uma iniciativa alheia. Isso pra mim é comer migalhas. Ou vai ou racha. Não tenho paciência, e nem estômago, pra aguentar o frio na barriga que dá toda a tensão que envolve o ritual manjado de conquista.
Até queria ser menos impulsiva e boicotar algumas vontades, mas, sei lá, só não sei lidar com essa parte esquisita da vida em que temos que fugir de nós mesmas pra parecer ser alguém legal o suficiente para se correr atrás. Eu sou legal o suficiente mesmo jogando todas as cartas na mesa logo de primeira, e quem quiser, ou puder  sobreviver a isso, que se disponha ou caia logo fora. Sem falsas esperanças alimentadas, sem desilusões. Eu curto a franqueza e não vejo ingenuidade alguma nessa minha opinião já tão formulada.
Aplaudo de pé quem articula todo um teatro bem elaborado de desapego enquanto se corrói de vontade e saudades da presença do outro por perto. Comigo é outra história. Não nasci pra ser atriz, apesar de tanto admirar esse dom que envolve mil facetas e artimanhas de interpretação de uma outra realidade e, ainda que com a minha incrível facilidade para viajar na tal da maionese, sou do tipo difícil de me distrair quando um foco é determinado, aí o dano já foi feito e é irreparável até que eu empenhe tudo de mim e, na pior das hipóteses, me dê por vencida.
Nunca menti, eu assusto e até me assombro com o peso que é me carregar para todos os lados e lugares por aí, mas comigo é assim. Ou está disposto a ser meu auxiliar neste árduo e delicioso trabalho ou se demite. É na lata, sem entrelinhas ou interpretações. Alguém bem que poderia me agradecer, é válido também dizer que isso reduz muito esforço de ambas as partes, sou digna de um Prêmio Nobel da Paz diante de tamanha bondade. Caminha do meu lado quem bem sabe reconhecer. “Ou vem na minha, ou live alone.”

terça-feira, 9 de julho de 2013

Me Ser

É que dá um orgulho tão grande de morar aqui dentro de mim, que eu jamais abriria mão do meu amor próprio por nada, nem por qualquer situação. É por cada detalhe que constitui o quebra cabeças da minha existência, que faço questão de manter-me sã para que eu nunca os esqueça. É por todos os sentimentos que valsam no meu peito, que eu me respeito, ao sentir a pureza que cada um destes contém, e que, por mais obscuro que alguns pareçam, quando superficialmente encarados de longe, de perto nada mais são do que uma casca de proteção para poupar de qualquer ruptura um núcleo inabalado.
É essa vontade de abraçar a mim mesma cada vez que me olho no espelho, que mantém o meu sorriso estampado de batom vermelho no rosto ainda intacto. É pela certeza de que eu não escolheria ser qualquer outro alguém no mundo além de mim, que eu sigo em frente, embriagando-me de cada sensação exacerbada que carrego da vida, sustentando a responsabilidade de ser quem sou sem medidas, aparando arestas contidas, me cuidando tal como mereço.
É por lembrar daquele beijo, daquela palavra não dita, de até onde me limitei chegar para não ferir os meus princípios e tudo o mais o que eu me permiti para me fazer feliz, que posso calcular com a exatidão do mais preciso matemático o quanto sou uma perfeita moradia para mim mesma, apesar da bagunça que as vezes insiste em se fazer presente, mas que, ainda assim, sem muito esforço se ajeita. Nada melhor do que tirar alguns retratos da gaveta e ver o prazer imenso de cada momento registrado ainda que de forma estática em cada fotografia para curar qualquer impressão negativa habitada no passado.
É pelos amigos e amores que colecionei na vida, que eu posso sustentar veementemente a minha teoria de que nada seria danoso o suficiente para me derrubar. É estando agradecida seja a Deus ou a Oxalá, que amanheço e faço uma prece pra Ele me cuidar. É envolta pelo cantarolar sereno de uma melodia compassada que rege os meus dias, que fecho os olhos e me entrego ao adormecer, recitando, quase que como um mantra, as singelas palavras que o que sinto tão bem sabem descrever: obrigada, Céus, muito obrigada. Como é bom amar cada pedacinho meu, como é bom ser eu.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Me Permitir...


Você sabe que tem alguma coisa se encaminhando para a beira do precipício quando aquela música sobre amores errados começa a fazer sentido. Você sabe que tem algo mais errado ainda consigo mesma quando, mesmo ciente disto, segue em frente e salta sem a menor cerimônia.
Que tipo de ser humano sádico sou eu? Existe alguma classificação plausível para tudo isso? A minha loucura interior encontra sempre explicações tão igualmente insanas as quais eu me prendo como se disso me dependesse a vida.  A minha loucura justifica tudo, até que eu me revolte contra ela e a julgue por todas as suas artimanhas de manipulação enquanto eu me fingia de inocente só para ter a quem culpar no final das contas.
Seguir adiante com um sentimento condenado aos seus dias finais já previamente embalados por soluços e indagações nunca fez muito o meu tipo e, mesmo me crucificando por isto, sinto que vale a pena todo o desfecho digno de enredo de novela mexicana se eu puder viver ao menos breves segundos do que hoje faz moradia em mim. Talvez porque seja algo que tenha nascido livre, nada intencionado a apagar o passado e assassinar memórias.
Eu que dedicava meus dias a arquitetar mil maneiras de despistar fragmentos de um outro alguém, me vejo agora ansiando por um outro “outro alguém” que nada tem a se relacionar com as minhas tramoias e boicotes emocionais. Não existe mais um pretérito imperfeito a ser deletado. Existe uma nova perspectiva a se viver, e a ausência de amarras, atreladas ao meu desatino, que ocupa 70% da minha estrutura, me faz sentir que pode valer a pena agora que não há passado, agora que posso me reinventar.
Taí, me decidi. Vou dançar essa dança mesmo sem saber da coreografia. Vou me deliciar deste prato sem mesmo ter a menor intuição de quais sejam seus ingredientes e vou entrar nesse barco condenado a afundar ainda que sem saber o seu itinerário. Eu vou me esbaldar dessa sensação de liberdade que me prende a um novo foco. Quero sair sem guarda chuva mesmo que existam grandes possibilidades de um temporal quase que a nível catastrófico. Eu vou viver o que há pra viver e, tal como a diz a música do Jota Quest, eu vou me permitir.