Minha alma de Amélia Moderna hoje veio recordar das
lembranças nostálgicas de um futuro que sequer ainda criou raízes, mas que
nunca abandonou a sua condição de semente. E é em um solo húmido e
sobrecarregado de desejo em que algum dia germinará.
Minha alma velha de uma jovem senhora de pouca idade despertou-se
da realidade no desígnio de reviver um sonho constituído de incomplexidade,
amor e paz e agora se alimenta vorazmente da minha esperança de concretização tal
como uma criança que depende do seio materno para encontrar conforto em sua
inquietação.
Sim, uma criança intervinda de meu ventre ainda tão vazio e
ansioso, intermediada pelo mais nobre dos sentimentos despertados por alguém
que, sabe-se lá ainda quem, possa partilhar deste presente humano constituído por
células e tantos outros materiais genéticos que nada mais são do que a junção
do que teríamos a doar além de todo o sentimento.
Minha alma tão pequena despertou-se ao ruir de um choro embriagado
de inocência e da necessidade do meu querer. Minh’ alma traquina hoje regressa
a me embebecer em seu cálice de afeto e vontade de reviver um sonho nato,
estruturalmente proporcional a minha maior ansiedade: uma família.
Meu coração ainda jovem, bombeando sabedoria e oxigenando
toda sua coerência, sussurra em sua maior sapiência: “viva, menina, ainda
chegará a tua hora” e o véu de tantas lutas diárias acalenta minh’ alma até que,
em seu sono mais denso e pesado, o choro se cale e também adormeça, embalando
na mais singela canção de ninar a criança que eu sou com a que eu quero ter.

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