Eu sei que, apesar de todo o seu sistema de blindagem, você ainda sente a minha falta em um sábado à noite qualquer. Minha mania irritante de querer saber o tamanho do amor que você sente a cada novo dia também te atormenta por agora estar ausente. Eu sinto, intimamente, a dor no seu sorriso debochado de quem quer fingir indiferença. Conheço bem o teu insucesso em buscar a alegria em noites afora enquanto só o que querias era contar com a calmaria da minha presença em uma tarde de domingo, assistindo seriados, enroscados nas cobertas, como era de costume entre nós dois.
Posso pressentir o teu suspiro pesaroso e saudoso de ouvir as minhas gargalhadas desnecessariamente altas e que, por vezes, te causavam constrangimento. Consigo até imaginar a sua relutância em jogar as minhas cartas fora e todas as lembranças estabanadas e desengonçadas que deixei na sua vida. Eu sei, e você não precisa me dizer que espera uma ligação minha, nem que seja pra saber se estou sentindo saudades. Eu apenas posso deduzir exatamente o quanto anseias por isto.
Posso até supor que você está agora em um desses momentos pós festa de quem acabou de curtir uma “gandaia” acreditando que isso te preencheria e que se encontra altamente frustrado por continuar faltando um pedaço. Tenho a plena certeza de que, por mais que qualquer outro corpo feminino te chame a atenção, é o meu estereótipo magro que perfeitamente se encaixa ao teu, e você sabe disso e se lastima amargamente por saber.
Por mais que qualquer garota tenha classe e não se atropele nas palavras, é o meu jeito desleixado e infantil que passa a ser a sua nova busca. E sei também que você imagina quantos outros garotos me desejam sem precisar disfarçar porque agora não estás ao meu lado e te dói só de imaginar com quantos desses eu me permitira envolver uma vez que não és mais um motivo que me prenda.
Eu sei de tudo isso com a mesma certeza de que dois mais dois são quatro e posso lhe provar mesmo que você tenha o sentimento enterrado no subterrâneo do seu inconsciente, mas, para o seu azar, ele continua lá. Sei muito bem o quanto você acredita que eu sinta a mesma coisa e posso compreender toda a sua decepção ao me ouvir dizer que não e que descobri que aquilo o que eu pensava ser amor, não passava de comodismo.
Vai doer em você saber o quanto estou adorando essa fuga de rotina de ilusões a respeito do que eu sentia, e pode doer ainda mais o fato de que agora sim eu me sinto bem e preenchida por ter redescoberto o meu grande e verdadeiro amor, a mim mesma. Desculpe por ter pena de você, mas, entenda, um dia passa, tu sobreviverás, talvez não da forma que querias, mas vai dar pra ir empurrando com a barriga. Só espero que o seu amor seja honesto o suficiente para se felicitar com a minha alegria e, até diria, vá por mim, talvez esta seja a melhor alternativa, só assim não ferirá tanto mais.

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