quarta-feira, 19 de junho de 2013

Me Permitir...


Você sabe que tem alguma coisa se encaminhando para a beira do precipício quando aquela música sobre amores errados começa a fazer sentido. Você sabe que tem algo mais errado ainda consigo mesma quando, mesmo ciente disto, segue em frente e salta sem a menor cerimônia.
Que tipo de ser humano sádico sou eu? Existe alguma classificação plausível para tudo isso? A minha loucura interior encontra sempre explicações tão igualmente insanas as quais eu me prendo como se disso me dependesse a vida.  A minha loucura justifica tudo, até que eu me revolte contra ela e a julgue por todas as suas artimanhas de manipulação enquanto eu me fingia de inocente só para ter a quem culpar no final das contas.
Seguir adiante com um sentimento condenado aos seus dias finais já previamente embalados por soluços e indagações nunca fez muito o meu tipo e, mesmo me crucificando por isto, sinto que vale a pena todo o desfecho digno de enredo de novela mexicana se eu puder viver ao menos breves segundos do que hoje faz moradia em mim. Talvez porque seja algo que tenha nascido livre, nada intencionado a apagar o passado e assassinar memórias.
Eu que dedicava meus dias a arquitetar mil maneiras de despistar fragmentos de um outro alguém, me vejo agora ansiando por um outro “outro alguém” que nada tem a se relacionar com as minhas tramoias e boicotes emocionais. Não existe mais um pretérito imperfeito a ser deletado. Existe uma nova perspectiva a se viver, e a ausência de amarras, atreladas ao meu desatino, que ocupa 70% da minha estrutura, me faz sentir que pode valer a pena agora que não há passado, agora que posso me reinventar.
Taí, me decidi. Vou dançar essa dança mesmo sem saber da coreografia. Vou me deliciar deste prato sem mesmo ter a menor intuição de quais sejam seus ingredientes e vou entrar nesse barco condenado a afundar ainda que sem saber o seu itinerário. Eu vou me esbaldar dessa sensação de liberdade que me prende a um novo foco. Quero sair sem guarda chuva mesmo que existam grandes possibilidades de um temporal quase que a nível catastrófico. Eu vou viver o que há pra viver e, tal como a diz a música do Jota Quest, eu vou me permitir.

sábado, 25 de maio de 2013

Renovação



Adoro o jeito como a vida segue. E segue bem, saudável, me retribuindo sorrisos bobos no canto da boca. E toca em frente. É como um fluxo inevitável e belo. Uma corrente forte de amor e luz. Me encanto com o modo com que ela cuida bem de mim e me acalenta como uma criança recém nascida no mundo. É sempre tão bom ser agraciada pelas conspirações positivas que eu, meramente humana e pequena em meio à imensidão do universo, jamais poderia retribuir, por mais que vivesse quinhentas outras vidas.
Estou feliz, meu Deus. Eu SOU feliz. E dá um orgulho tão grande em pronunciar essas palavras que bato firme no peito em um gesto de pura convicção por saber que esse é o meu momento de colher os frutos que plantei durante o tempo e que todos eles são portadores dos sabores mais doces e inexplicáveis, coisa que só quem está na pele da gente é capaz de descrever.
Eu estou colorindo o mundo, sou uma caixa de pincéis e tintas ambulante. E o vermelho do meu coração bobo e tão presente em cada uma das minhas decisões é o que mais se destaca na minha aquarela particular. Eu poderia gritar se isso não despertasse o sono dos injustos. Logo só me resta registrar nessas linhas em alto relevo, impressas pelo destino que hoje canta a sua mais original canção de satisfação e felicidade, o que já me vale de grande serventia.
Até jurei não escrever mais sobre amor, mas cá estou relatando meu ápice de paixão pelo amor próprio agora tão meu, que hoje sou a sua personificação. Vou bater com a cara no muro diversas vezes e me machucar, bem o sei, mas hoje não, hoje eu me proíbo de sofrer por antecipação. Estou vivendo de plenitude e renovação. Minha pele perdeu o que estava morto no caminho até aqui, e, agora, regozija por poder receber cada raio de sol em sua mais delicada camada e arrepiar-se com o fenômeno daquela que é responsável pelo que aqui se descreve. Aquela que nunca falha: a vida.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Lástima de Agradecimento


Estou ferida, magoada e dilacerada, mas estou sorrindo e dou graças aos céus por isso. Obrigada, Deus, pela dor aguda que se instalou nas minhas entranhas. Obrigada pelo choro que engulo feito cachaça das mais amargas. Obrigada por cada lágrima que derramei até hoje e pelos socos figurativos na boca do estômago a cada manhã que ressurjo dos meus devaneios e encaro a face suja e sangrenta da realidade.
Não, não estou sendo irônica. Eu verdadeiramente agradeço. Esses são os sintomas mais concretos de que algo ou alguém muito superior a minha capacidade limitada de compreensão pretende expurgar o gosto azedo de um sentimento envelhecido e altamente radicável do meu interior e me contento em estar preparada para ser amiga do sofrimento.  Poderemos, inclusive, andar de mãos dadas pelas esquinas do meu inconsciente até que ele se perca pra sempre.
O que me “mata” nisso tudo são os prazos, ou melhor, a ausência deles.  “Até quando?” já virou indagação rotineira. “Amor” é palavrão, dos mais sujos e inescrupulosos e a minha pouca fé torna-se diminuta diante da imensidão do eu em que habito. Sou um oceano de lembranças e uma suicida diária por me permitir afogar em cada uma delas. Mas obrigada, Deus, muito obrigada...
Pois é, estou aqui, estou bem, estou viva. Também dói, confesso. Nessa vida, eu seria a ultima pessoa para quem mentiria, e é com a mesma convicção da existência desse penar latejante que assumo, dando a cara à tapa pra vida: vou ser mais feliz do que imaginei um dia, e é sem a mínima cerimônia que eu declaro o meu mais novo apego,  o clichê da frase escrita a mão em meio a uma caligrafia trêmula, estampada na minha cabeceira e que diz: “Isso também passará”. E, sim, vai passar. E, mais o digo, posso ainda acrescentar, que pena de você quando isso for um fato plenamente consumado, que pena...

domingo, 28 de abril de 2013

Te Querer


Gostaria de te olhar fundo nos olhos e pedir para que faça jus a dimensão do que despertou em mim e dizer que sim, eu aceito me jogar sem paraquedas novamente na espera de ter você lá embaixo pronto para amortecer as dores e sequelas da minha atitude tão primitiva de me entregar sem garantias.
Queria que você soubesse que tenho dedicado os meus últimos dias a canções românticas e redundantemente melosas enquanto as ilustro com imagens estáticas suas e que está sendo divertido usar toda a minha cartela de cores mais uma vez para colorir os meus pensamentos ao mesmo tempo em que os redireciono a um novo foco.
Eu sei, sou assim. Eu assusto. Eu explodo. E os efeitos desta catástrofe são uma overdose de sentimentos atômicos, mas eu costumo fazer apenas uma vítima por vez, e o sortudo dessa roleta russa encomendada pela vida agora é você. Só te peço para entrar no jogo, porque é frustrante ganhar por W.O., e esse não é o tipo de propósito que tenho em mente agora. Talvez “ganhar”, no seu sentido mais descomplicado, não venha bem ao caso.
Você poderia fazer o favor de pedir para que os meus sonhos possam ir com mais calma? Poderia acalentar esse coração tão disparado e aflito?  Poderia se fazer presente de modo tão material quanto o meu desejo inflamado? Perceber o seu interesse, pra mim, agora, já não vem sendo mais o suficiente. Por favor, seja o diagnóstico para toda essa minha vontade exacerbada de nascença e que agora se agrava para um estado terminal de intenção de te ter.
Posso te pedir só mais uma coisa? A última de todas? Não se sinta acuado como é de costume na maioria dos casos. Por dentro eu sou mais indefesa do que aparento. Meu ego de pavão inflado não passa de uma boa camada de maquiagem fluorescente escondendo a face nua e crua da minha realidade, embarreirando toda a simplicidade estrutural que há em mim, e que, agora, resume-se a uma só finalidade: te querer.

sábado, 13 de abril de 2013

Eu sei...


Eu sei que, apesar de todo o seu sistema de blindagem, você ainda sente a minha falta em um sábado à noite qualquer. Minha mania irritante de querer saber o tamanho do amor que você sente a cada novo dia também te atormenta por agora estar ausente. Eu sinto, intimamente, a dor no seu sorriso debochado de quem quer fingir indiferença. Conheço bem o teu insucesso em buscar a alegria em noites afora enquanto só o que querias era contar com a calmaria da minha presença em uma tarde de domingo, assistindo seriados, enroscados nas cobertas, como era de costume entre nós dois.
Posso pressentir o teu suspiro pesaroso e saudoso de ouvir as minhas gargalhadas desnecessariamente altas e que, por vezes, te causavam constrangimento. Consigo até imaginar a sua relutância em jogar as minhas cartas fora e todas as lembranças estabanadas e desengonçadas que deixei na sua vida. Eu sei, e você não precisa me dizer que espera uma ligação minha, nem que seja pra saber se estou sentindo saudades.  Eu apenas posso deduzir exatamente o quanto anseias por isto.
Posso até supor que você está agora em um desses momentos pós festa de quem acabou de curtir uma “gandaia” acreditando que isso te preencheria e que se encontra altamente frustrado por continuar faltando um pedaço. Tenho a plena certeza de que, por mais que qualquer outro corpo feminino te chame a atenção, é o meu estereótipo magro que perfeitamente se encaixa ao teu, e você sabe disso e se lastima amargamente por saber.
Por mais que qualquer garota tenha classe e não se atropele nas palavras, é o meu jeito desleixado e infantil que passa a ser a sua nova busca. E sei também que você imagina quantos outros garotos me desejam sem precisar disfarçar porque agora não estás ao meu lado e te dói só de imaginar com quantos desses eu me permitira envolver uma vez que não és mais um motivo que me prenda.
Eu sei de tudo isso com a mesma certeza de que dois mais dois são quatro e posso lhe provar mesmo que você tenha o sentimento enterrado no subterrâneo do seu inconsciente, mas, para o seu azar, ele continua lá. Sei muito bem o quanto você acredita que eu sinta a mesma coisa e posso compreender toda a sua decepção ao me ouvir dizer que não e que descobri que aquilo o que eu pensava ser amor, não passava de comodismo.
Vai doer em você saber o quanto estou adorando essa fuga de rotina de ilusões a respeito do que eu sentia, e pode doer ainda mais o fato de que agora sim eu me sinto bem e preenchida por ter redescoberto o meu grande e verdadeiro amor, a mim mesma. Desculpe por ter pena de você, mas, entenda, um dia passa, tu sobreviverás, talvez não da forma que querias, mas vai dar pra ir empurrando com a barriga. Só espero que o seu amor seja honesto o suficiente para se felicitar com a minha alegria e, até diria, vá por mim, talvez esta seja a melhor alternativa, só assim não ferirá tanto mais. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Minh'alma Velha de Tão Pouca Idade



Minha alma de Amélia Moderna hoje veio  recordar das lembranças nostálgicas de um futuro que sequer ainda criou raízes, mas que nunca abandonou a sua condição de semente. E é em um solo húmido e sobrecarregado de desejo em que algum dia germinará.
Minha alma velha de uma jovem senhora de pouca idade despertou-se da realidade no desígnio de reviver um sonho constituído de incomplexidade, amor e paz e agora se alimenta vorazmente da minha esperança de concretização tal como uma criança que depende do seio materno para encontrar conforto em sua inquietação.
Sim, uma criança intervinda de meu ventre ainda tão vazio e ansioso, intermediada pelo mais nobre dos sentimentos despertados por alguém que, sabe-se lá ainda quem, possa partilhar deste presente humano constituído por células e tantos outros materiais genéticos que nada mais são do que a junção do que teríamos a doar além de todo o sentimento.                               
Minha alma tão pequena despertou-se ao ruir de um choro embriagado de inocência e da necessidade do meu querer. Minh’ alma traquina hoje regressa a me embebecer em seu cálice de afeto e vontade de reviver um sonho nato, estruturalmente proporcional a minha maior ansiedade: uma família.
Meu coração ainda jovem, bombeando sabedoria e oxigenando toda sua coerência, sussurra em sua maior sapiência: “viva, menina, ainda chegará a tua hora” e o véu de tantas lutas diárias acalenta minh’ alma até que, em seu sono mais denso e pesado, o choro se cale e também adormeça, embalando na mais singela canção de ninar a criança que eu sou com a que eu quero ter.