domingo, 20 de março de 2016


A gente sabia que seria só um momento isolado, que seríamos apenas nós dois naquele instante e depois voltaríamos a ser mais nada. Não dávamos certo juntos, era uma verdadeira catástrofe, algo crucial nunca nos foi compatível além do amor que carregamos no peito, só amar nunca nos sustentou, mas precisávamos daquele último instante. Não contamos nem aos nossos mais íntimos amigos, era algo tão somente nosso, opiniões e julgamentos não importavam, era precioso demais para ser compartilhado, foi o nosso tesouro secreto, agora para sempre enterrado. 
Depois de tantos meses eu o olhei nos olhos novamente, vi, então, sua alma se despir diante de mim, minha armadura rachou completamente, caiu no chão e se desfez em mil pedaços, voltamos a ser os dois jovens que um dia fomos e, ali, atordoados pelo turbilhão de sentimentos, nos perdemos um no outro. 
"Eu te amo" era o que dizíamos, "vou te amar para sempre". Sim, iríamos, mas amar não quer dizer estar junto. E foi bem ali, deitada, ouvindo a respiração pesada em seu peito, que me dei conta de que era preciso partir, de novo.
Algumas pessoas foram feitas para se amarem, mas não para permanecerem uma ao lado da outra, nós somos essas pessoas, sempre seremos, esse é o nosso castigo e aprendemos, depois de tanto insistir, a aceitá-lo. 
Então essa parte de mim que agora escreve estas palavras foi embora daquele quarto, a minha outra metade, porém, ainda está lá, ouvindo o coração dele bater bem de perto, mas cumprimos com o combinado, com o nosso pacto, era necessário, talvez ninguém entenda, mas nós entendemos, isso basta. 
Eu o amarei para todo o sempre, ainda que esteja velhinha numa cadeira de balanço, com a memória fraca devido o passar de tanto tempo, mas dele e desse momento eu não esqueço. Meu coração não o esquecerá. Pela última vez fomos um do outro, que bom que nos permitimos isto, mas agora temos que seguir, e seguir, para mim,, é um caminho sem volta. Adeus você, meu amor. Adeus nós dois.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015


Aquela não era eu, aquela era uma menina que fingia se enquadrar em coisas que não lhe cabiam, não se adequavam, não encaixavam, não batiam! Deixe-me explicar. É que eu não nasci emocionalmente ajustada para esse mundo em que tudo é tratado com tão pouco empenho quando o assunto é coração. Porém, até pouco tempo eu tentava fingir que sim, sem a menor margem de sucesso, mas fingia.
Eu pensei que depois de uma certa idade a gente aprendia a não mais se decepcionar e transformar o coração em pedra de gelo, o que não passou de um mero devaneio descabido meu e caí na real de quem eu realmente era: uma romântica nata e imutável, não dá mesmo pra fugir do que somos.
As pessoas têm preguiça de amar e, com isso, banalizam pequenos (grandes) gestos essenciais. É tão raro alguém declarar seus sentimentos de peito aberto, olhar nos olhos do outro e dizer "ei, você é importante pra mim" ou "sabia que eu gosto mesmo de você?". Fizeram do amar um jogo de egos, uma competição onde aquele que consegue parecer menos interessado vence. Tudo tão mecânico e superficial, e eu tenho tanta coisa morando no peito, uma cidade inteira de coisas, sentimentos e momentos guardados em mim, enquanto que essa gente parece um recipiente humano comportando grandes vazios em seu interior. É estranho.
Veja bem, é dito por aí que um beijo não é nada. Nada é nada, um beijo é um beijo, e cada coisa tem um significado. Beijo é encontro de almas, troca de energias. Ora, é ao menos pra mim, que talvez não seja um ser desse mundo mesmo. Hello! Marte falando para o planeta Terra: algum marciano perdido nesse lugar maluco também? Deve ter, sempre há. Parte integrante de uma espécie quase extinta, mas há.
Apesar dos pesares, acreditar ainda vale a pena.
Falta ele todos os dias no meu "boa noite" antes de dormir, falta ele nas tardes de domingo no meu quarto assistindo um filme qualquer. Falta ele nas minhas conversas diárias e nas fotos do porta retrato. Falta ele. Ele faz falta nas minhas caminhadas à beira mar, ele me faz falta quando toca aquela música cheia de significados... Ele me faz muita falta. Noites como esta são as que mais gritam a ausência dele, o meu cobertor vazio questiona incessantemente por ele, e o frio que arrepia a minha pele é só um dos tantos sintomas da abstinência de um calor que só ele pode ter. A saudade dele é quase que uma dor física em alguns momentos, e esta noite é um desses momentos, assim como amanhã também será. Falta ele no aqui e no agora, falta ele no "eu amo você" empoeirado e guardado na gaveta, falta ele nas notificações despretensiosas no meu celular. À ele lhe falta um nome, à ele falta um rosto, uma identidade, à ele falta uma coincidência ou acaso que o ligue à minha vida, à ele lhe falta a mim e à mim ele faz falta. À nós nos faltamos, e assim nos manteremos até um dia não haver mais essa falta, nem lacuna, nada. Um dia seremos um e não dois que se ausentam para formar uma soma perfeita. Um dia teremos um ao outro e, então, teremos tudo.

Quando eu percebi que estou sozinha porque eu quero, tudo se tornou mais fácil e parei de me vitimizar. Quando eu notei que eu é quem intimamente encontrava motivos para me afastar de novas possibilidades de relacionamentos amorosos, foi que tudo se tornou mais fácil. Antes eu costumava culpar o mundo, as estrelas, o zodíaco, as circunstancias, CULPAVA ABSOLUTAMENTE TUDO, e a única mocinha sofredora, digna de protagonista de novela mexicana, era essa a quem vos fala. Eu reclamava, menina, como eu reclamava! Ninguém era suficiente, ou não era atraente ou não tinha o estilo de vida que eu gostaria de acompanhar, ou era novo demais e até mais velho... a questão é que nunca se enquadrava e aí eu me deprimia e me sentia "abandonada", achava que devia mesmo era ficar sozinha eternamente, mas era esta uma eternidade que durava uma só noite e, logo no outro dia, mais uma vez eu me envolvia em alguma nova "caçada". A verdade é que nem eu sabia o que queria, e nem sei ainda o que quero agora. Tropecei em mim mesma ao procurar por algo para o qual EU não estava preparada e condenava Deus e o mundo porque é sempre mais fácil jogar a culpa no resto da humanidade do que olhar no espelho e ver a causa dos seus problemas bem na sua frente. Quando caí na real, notei o quanto pode ser bom estar sozinha, se amar um pouquinho pra depois abrir espaço para que alguém nos ame também. A "solidão" nos causa a auto aceitação. Mas ninguém é sozinho quando se pode contar consigo mesmo, quando somos amigos do nosso próprio ego. E é bom, menina, como é bom! Se conhecer melhor por dentro sempre foi a chave pra todas as portas da vida e eu não sabia. Conhecer a si mesmo te faz se apegar a tantos detalhes seus que a gente passa a não aceitar que surja alguém que não ame desde o nosso fio de cabelo até a ponta do dedo mindinho. E é aí que a gente fica pronta, porque passamos a ser pessoas completas que não buscam nossas metades, mas sim quem nos transborde, quem abra nossas represas e nos deixe desaguar. Mas quando, afinal, isso acontece? Ah, são cenas para um próximo capítulo, minha cara, sem pressa tudo há de chegar. A vida acontece. Sempre.

Eu acho engraçado o tal do amor. A gente tem sede da presença do outro, sentimos fome de um beijo, carência de um gesto. A gente deposita um sentimento tão bom e devastador ao mesmo tempo em alguem que é só... um alguém (!). É tão alguém quanto nós mesmos, e ainda assim nos faz sentir incompletos quando por algum contratempo, seja passageiro ou eterno, a vida vem a afastar o alguém em questão da gente. Sempre fui intrigada com isso. O outro é só o outro que aparece de repente, nem sequer é parente, é só um ser humano complexo, inseguro e tão estranho quanto todos nós somos e, ainda assim, vemos o mundo inteiro girar naquele ponto fixo que, talvez, por alguma distração do destino, poderíamos nem sequer ter conhecido. Mas aí então a gente conhece. E todos os pólos do planeta se conectam. E a gente se aquece por dentro com o calor que vem de outra pessoa. Esquisito, não é? Eu acho. Acho, na verdade, um enigma grandioso toda essa necessidade de se ter alguém do lado, mas esse alguém só verdadeiramente importa enquanto for o tal alguém, até que surja um outro e se torne o alguém de novo e o ciclo vicioso acontece. É isso! O amor é vício. Vício que nasce dentro do peito sem que ao menos se precise experimentar para que em seguida venha a fase de dependência. O amor é. Simplesmente é e continuará sendo. Sem definições. O amor é mistério. Entendeu? Nem eu. Não ainda.

Eu venho tentando escrever sobre qualquer coisa relacionada a você - e quando digo "qualquer", é qualquer coisa MESMO - e isso já faz uma boa parcela de tempo. Estou bloqueada. O máximo que consigo no meio de tantas tentativas é apenas colecionar algumas bolas de papel rabiscado empilhadas em um canto visível do meu quarto. Você me travou. É como viver a metáfora de que a criatividade me foi um membro agora amputado e que faz muita falta, talvez porque qualquer registro que eu pudesse fazer pelo uso das palavras jamais descreveriam o que você me fez. Me bagunçou, virou do avesso e fugiu com toda a definição disso dentro da mochila. Me sinto temporariamente oca e um tanto frustrada pois agora, ainda que algo aqui eu escreva, não digo absolutamente nada. Nada além de um zilhão de frases que repitam implicitamente: "você me trincou por dentro". Eu fiz um texto que fala isso todo o tempo, enfeitado de alguns outros dizeres inúteis. É, você me quebrou.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015


Eu até tento, juro que tento, assumir o papel de mulher madura e discreta que roteirizei para seguir. Infinitas vezes me pego pensando “vai lá, menina, deixa o papo fluir, mas não revela nada. Permita que provem o gosto do mistério”, mas, quando dou por mim, lá vou eu narrando toda uma autobiografia ilustrada por inúmeras expressões corporais que envolve desde a minha primeira lembrança, a todas as circunstâncias que me levaram até aquele momento.
Tento segurar o passo, o riso, a língua solta e até o meu respirar, mas e quem disse que isso adianta quando o autocontrole me escapa por entre as mãos tão rebelde e sorrateiro? Antes mesmo que eu perceba, já tropecei até nas próprias pernas, sorri daquele jeito desnecessariamente alto, falei mal do esmalte borrado no dedinho do pé de alguma fulaninha disposta em meu campo de visão e entreguei todas as minhas fichas. Eu sempre me entrego (!), não tem jeito, não nasci pra essa coisa de tentar ser o que eu não quero só porque é mais bonitinho e socialmente aceitável.
Não sou socialmente aceitável, tampouco sou uma dama que não cai do salto alto e cruza as pernas ao sentar. Eu falo a mil decibéis, faço piada com a cara dos outros e até arrisco colocar os pés na poltrona da frente numa sala de cinema, mesmo que isso implique abrir mão, por um momento, de todo aquele papo clichê que envolve a importância de se manter a feminilidade. Sou totalmente atrapalhada com encontros amorosos e me enrolo com as palavras quando preciso contar uma história de narrativa muito longa. Nunca aprendi a ser contida. Se existe alguma solução pra tudo isso, já me auto diagnostico como um desses casos perdidos que a gente vê pelo mundo.
Sou tudo tão intensamente que me chega a ser difícil administrar o fato de ser eu. Já até cogitei aparar as arestas, podar sentimentos, diminuir o tom da minha voz e ser “a menininha fofinha do papai”, mas isso foge tanto a minha essência, que decidi deixar pra lá, pra depois, amanhã... Vai que, em algum desses dias, eu dou de cara com o tal do equilíbrio e a gente até marque para passear. Nunca se sabe. Ainda que me pareça isto um tanto quanto impossível, não é uma suposição tão descartável assim. Ou é?
Mas eu gosto mesmo é do efeito que eu surto em minha vida com esse jeito ainda torto de ser. Vou seguindo e vou me prometendo crescer, ainda que seja este um juramento que já é de praxe o seu não cumprimento. E, sabe do quê? Tem gente que ainda me alimenta, tem gente que ainda gosta. Há quem dê a maior força e incentive a maneira peculiar com a qual atravesso os dias. E eu, admiradora nata da arte da dramatização, encorajada pelo abrir das cortinas do teatro da vida, continuo sendo o que sou, para que, um dia, talvez eu escute os conselhos da minha pobre vózinha ao dizer “ô, criatura, tome jeito”. Mas isso quem sabe um dia. Ou nunca mesmo. 


É que, depois de todo esse tempo, você foi o único que me trouxe de volta a inspiração de direcionar as minhas palavras a alguém em forma de texto. Imaginar o que poderíamos ser se não fosse todo o meu medo já não me cabia unicamente em pensamento, os devaneios agora me escorrem pelos dedos e é a sua imagem que eu vejo no decorrer desta narrativa que só me remete ao nosso último momento como o par equivocado que fomos, ou somos, não sei... não consigo ignorar o fato de que seremos pra sempre, ainda que você se case e se mude pro Himalaia e faça três filhos em uma mulher que não será eu, e isso por um único motivo tolo, a minha covardia.
Fugir do amor nunca foi do meu feitio, mas é como se você só ressurgisse nas horas mais erradas. Eu sempre estou em fuga de algo ou alguém quando você se oferece a me estender a mão para se tornar um foragido junto comigo. Há, em primeiro instante, um magnetismo inexplicável que me impulsiona a aceitar, que une os nossos pólos de um modo inevitável, mas, depois, me pego em debate interno, me pego tentando repelir essa força estranha que vai além de mim, e tudo que vai além de mim me assusta. Na verdade, como você mesmo diz, TUDO me assusta.
Eu gostava de não poder me envolver e ainda assim estar envolvida, gostava do quanto era errado e tão nosso esse pecado de nos querer. Eu ainda gosto das lembranças dos meus breves súbitos de coragem que me levaram a beijar você de novo, gosto de saber que, ainda que por tão pouco tempo, você foi a minha fonte geradora de autenticidade. Amava quase tanto a sensação de estar encrencada pelo mero motivo de estar enroscada em teus braços quanto eu amo você.
Ah, menino da armadura de ferro, quebramos nossas promessas mais uma vez. Eu falei que não mais partiria e você me disse um dia que eu não seria capaz de magoá-lo jamais, ainda que eu tivesse esse propósito planejado. Agora releio mentalmente você dizer o quanto lhe feria me ver seguir com a escolha de soltar sua mão. Grandes mentirosos que somos! Até ontem éramos tudo e hoje, ora veja, não somos mais nada. Sou tão somente a menina que sente sua falta e você, provavelmente, o cara condenado a ser meu ainda que não mais o seja, devido a razão estranha que nos faz um do outro mesmo que venhamos a pertencer a mais alguém em qualquer lugar no mundo. 
“Somos pra sempre”, uma dia a Tati Bernardi escreveu, acho que ela sabia da gente.

Vai lá e sussurra aos ouvidos daquela menina de 15 anos, assombrada pelos efeitos do seu primeiro beijo, que do amor não se esquiva. Conta pra ela que foi ali, no meio daquela festa em que tudo saiu como o programado, onde se deu o selar do contrato irrevogável, renovável a cada batimento enérgico de dois corações ainda jovens, imaturos e aflitos. Pega a menina pela mão e diz que é preciso lhe contar um segredo, a faça entender que esse ritmo dançante, comparado ao de uma sambista em plena passarela, habitado em seu peito, é o que regerá a sua vida dali por diante. Diz ainda que a dançarina cambaleia e perde o passo independente de quantas sejam as vezes em que ela virá a soltar da mão do menino o qual o primeiro momento do encontrar dos olhos não lhe abandona a memória. Vai, corre e berra chacoalhando-a pelos ombros magricelos, pronuncia qualquer palavra que faça aquela cabecinha de vento, orgulhosa em demasia para a sua idade, decifrar, mesmo que com algum esforço, que será naqueles braços os quais ela desejará se enroscar cada vez que a noite lhe parecer escura demais, ou os seus sonhos teimem em não tornarem-se reais, ou que o fardo de viver seja pesado e machuquem as suas costas. Manda um bilhete, escreve uma história... Fala pra ela do futuro. Diz que aquele amor que agora lhe surge como novidade, continua a fazer parte da alma de uma mulher que hoje vivencia os seus vinte e poucos anos, a qual aprendeu, ainda que sem nenhum conselho, que pra ser feliz não se espera.


Vai lá e diz a ela que ela encontrou o amor de verdade, diz a ela...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Abandonada

 
Foi ali que me deixastes, na tua cama, despida de você e vestida de saudades, ainda que pudesse devorar o teu cheiro abrigado entre os lençóis que me corriam por entre os dedos tal como cada lembrança que acelerava-se em minha mente do que se passou. Usada e embriagada da maciez da tua pele marcada pelas unhas em ti tão insaciavelmente cravadas, no que já era noite e agora se fez dia, como um ato de súplica para que tua vontade lhe fizesse sentir-se meu de verdade muito além do momento que nos ocorria.
E eu queria tanto constatar a tua adoração se fazer compatível a minha, a qual te enxergava tão além da carne e dos prazeres meramente físicos que podias me dar. Eu queria lamber tuas lágrimas quando a tristeza batesse em tua porta, e seria isto o que me faria tão mais feliz do que me entregar a tua alegria boêmia de uma só noite e nada mais. Até o meu amor próprio se materializou pra poder dialogar comigo em um desses dias, alegando a imensa saudade de habitar o meu interior.
Ali, ainda a te fitar embalado no mais pesado sono, eu já pude prever mais uma de nossas despedidas silenciosas, onde ou eu ou você sairíamos pela porta e trocaríamos um telefonema descompromissado quando a solidão tivesse por intenção algum de nós abraçar. Haveria uma mensagem de texto não respondida, um descaso casual, e, por fim, eu, iludida, apostando todas as minhas fichas de que numa próxima vez algo em você poderia me observar sob uma óptica diferente, que seus pulmões viriam a inalar a minha essência e faríamos de dois um só número.
E, ainda assim, a despeito de toda a esperança febril que me adoece de sintomas de você, sei que por mais uma vez eu havia sido abandonada, mesmo que meu corpo tenso de expectativa e rejeição ainda se enroscasse ao teu, em um emaranhado de desespero, ansiando, entorpecido, poder te dizer adeus, enquanto que o meu coração, esparramado na tua cama, difícil de juntar cada pedaço, pulsando aos acordes do teu nome, me pedia pra ficar. E eu fico, por você eu sempre fico, ainda que comigo não estejas mais.

domingo, 17 de novembro de 2013

Um Pouco Sobre Acreditar No Amor

Não direi que estou desiludida com os homens, que todos, sem a menor exceção, não prestam e que se apaixonar não vale a pena. Não quero me apegar a estes clichês. Longe de mim querer parecer uma mal amada que pragueja a torto e a direito por aí. Não é porque o meu "feliz para sempre" ainda não chegou que eu deva me dar por vencida e declarar game over antes de usar todas as vidas que me restam nesse jogo imposto entre a razão e o coração.
Não deixo de ansiar, nem por um segundo, o momento em que terei onde repousar a cabeça e me aninhar em um colo alheio e disposto a me acolher. E há tanto em mim para ser abraçado, que já nem mais culpo os que não puderam suportar toda a bagagem emocional que me vem junto como anexo. Porque eu sou feita de amor, eu sou o amor e ainda faço dele o meu amigo distante, daqueles que se troca correspondências, e que se aguarda o reencontro. Eu não desisto dele e ele não abre mão de mim. Simples. É assim que deve ser.
Babacas têm aos montes, mas estes não correspondem a todos os seres do sexo masculino da face da terra. Somos humanos. Nós, mulheres, também erramos, podemos até desmerecer aquele que poderia vir a ser o amor da nossa vida enquanto ainda nos apegamos a estereótipos pré estabelecidos pela nossa vaidade. Portanto, não cedo. Me permito até sofrer meus desencantos. Vou me lapidando e aprendendo, até que, enfim, chegue o momento em que poderei dizer, envolvida em um abraço tão cúmplice quanto o que guardo aqui dentro: que bom, eu te encontrei!

O Desafinar da Nossa Canção

Eu só queria que você soubesse que estou, neste exato momento, vendo a tua imagem estática nas fotografias de uma rede social qualquer, na tentativa de poder amenizar um pouco da saudade que canta ao meu ouvido, afinada tal como o tom da tu
a voz, daquele beijo que eu quis eternizar ainda que o tenha durado por um só momento. 
É que eu me lembro de cada nota do teu violão e do teu sorriso malicioso de menino inocente enquanto ouvia as tuas canções que me embalavam as madrugadas agora tão caladas, que gritam melodicamente a ausência que a minha inconsequência fez-se criar.
Eu queria deixar claro que apesar de eu parecer louca... Ah, não existe nenhum “apesar”, a verdade é que eu sou louca sim! Maluca ao ponto de não compreender essa coisa toda que você despertou em mim e devanear sobre aquele papo todo de me declarar como sua e a falta que pronunciar estas palavras me faz. 
Você é o tipo certo de cara errado e isso ferra com a minha mente. Tão ao ponto de me fazer preferir fugir das aventuras do parque de diversões que é adentrar a tua vida, ainda que eu espere sigilosamente receber uma chamada inesperada sua dizendo que pensou em compor uma nova música pra poder me registrar em cada letra.
É, eu bem que te falei que você também iria virar texto. É inevitável quando fica cravado no peito, não transbordar em palavras. Inevitável não querer te marcar no papel, assim como cada tatuagem que conta história na superfície da tua pele, pra tornar imortal o teu significado aqui dentro. 

Perdoa abrir mão de carregar a tua bagagem. Abri mão, na verdade, de mim mesma. 
De tanto te querer, não mais quis.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Re-amar

E lá vamos nós, eu e o meu coração, de novo, fazendo as malas para uma nova viagem. Meu grande parceiro de aventuras resolveu dar o seu "alô" novamente, trazendo algumas doses de esperança pra a gente se embebedar a noite inteira e um pouco de medo para servir de freio e petiscar enquanto não voltamos à sobriedade.
A gente decidiu ser amigos mais uma vez, se dar essa chance. Deixar de lado desafetos passados e caminhar de mãos dadas como um casal bem resolvido, daqueles que faz planos futuros. Fizemos um pacto, selamos contratos, juramos amor eterno e, ainda como se não bastasse, o bendito me trouxe, embaladinho pra presente, um alguém.
Está na hora de abrir mão da autossabotagem, deixar de lado as simulações, despir as armaduras. Eis o momento de dar voz àquilo o que incandesce dentro de mim sempre que o mundo fica escuro lá fora. Encontra-se, pois, presente o instante de permitir que eu e o meu coração possamos fechar os olhos bem apertado e pedir, em forma de súplica, agarrando-nos ao último fio de esperança, para que a nossa complexidade, venha a ser, portanto, abraçada.


Que cada batida sua seja compreendida, que cada pulsar seja bem interpretado, que se acelere por motivos nobres, e que, enfim, me faça feliz. Amém.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Teatro Particular

E até quem me vê em cima de um salto alto finíssimo, com sorriso vermelho de batom estampado no rosto, sabe que me falta você. É inevitável deixar de perceber um ser humano faltando um pedaço, carregando sua dor pra todos os lados, gritando silenciosamente a ausência que um outro deixou.
Até o meu caminhar denuncia a minha carência de equilíbrio sem o campo gravitacional que me cercava quando eu o tinha por perto e, por mais que eu ande firme, desfilando todo o meu amor próprio e segurança, não há quem não prestigie de pé o meu teatro barato, ainda que bem articulado, e idolatre o personagem digno de Oscar de mulher bem resolvida que criei pra mim.
E mesmo que o meu corpo reclame o abandono do teu, é com outros toques e outras peles que eu vou me enganando até que um dia eu possa me convencer. É com esse sorriso debochado na face e batendo forte no peito que vou  montando meu discurso fraudado de que eu não mais preciso de você. E é fingindo indiferença enquanto eu te amo sufocada, que digo em alto e bom tom que te querer é vontade perdida no passado.

Aplausos. Que se fechem as cortinas, eis aqui, então, a minha melhor atuação.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

“Ou vem na minha, ou live alone”

O que não rola mesmo é essa coisa de ser contida e bolar milhões de esquemas pra fazer o cara te querer. Não dá. É que não combina comigo mesmo. Não nasci pra joguinhos amorosos, isso destoa com a cor dos meus olhos. Sabe como é? Acho um pé no saco ficar esperando o telefone tocar e ter que cruzar os dedos o dia todo na esperança de uma iniciativa alheia. Isso pra mim é comer migalhas. Ou vai ou racha. Não tenho paciência, e nem estômago, pra aguentar o frio na barriga que dá toda a tensão que envolve o ritual manjado de conquista.
Até queria ser menos impulsiva e boicotar algumas vontades, mas, sei lá, só não sei lidar com essa parte esquisita da vida em que temos que fugir de nós mesmas pra parecer ser alguém legal o suficiente para se correr atrás. Eu sou legal o suficiente mesmo jogando todas as cartas na mesa logo de primeira, e quem quiser, ou puder  sobreviver a isso, que se disponha ou caia logo fora. Sem falsas esperanças alimentadas, sem desilusões. Eu curto a franqueza e não vejo ingenuidade alguma nessa minha opinião já tão formulada.
Aplaudo de pé quem articula todo um teatro bem elaborado de desapego enquanto se corrói de vontade e saudades da presença do outro por perto. Comigo é outra história. Não nasci pra ser atriz, apesar de tanto admirar esse dom que envolve mil facetas e artimanhas de interpretação de uma outra realidade e, ainda que com a minha incrível facilidade para viajar na tal da maionese, sou do tipo difícil de me distrair quando um foco é determinado, aí o dano já foi feito e é irreparável até que eu empenhe tudo de mim e, na pior das hipóteses, me dê por vencida.
Nunca menti, eu assusto e até me assombro com o peso que é me carregar para todos os lados e lugares por aí, mas comigo é assim. Ou está disposto a ser meu auxiliar neste árduo e delicioso trabalho ou se demite. É na lata, sem entrelinhas ou interpretações. Alguém bem que poderia me agradecer, é válido também dizer que isso reduz muito esforço de ambas as partes, sou digna de um Prêmio Nobel da Paz diante de tamanha bondade. Caminha do meu lado quem bem sabe reconhecer. “Ou vem na minha, ou live alone.”

terça-feira, 9 de julho de 2013

Me Ser

É que dá um orgulho tão grande de morar aqui dentro de mim, que eu jamais abriria mão do meu amor próprio por nada, nem por qualquer situação. É por cada detalhe que constitui o quebra cabeças da minha existência, que faço questão de manter-me sã para que eu nunca os esqueça. É por todos os sentimentos que valsam no meu peito, que eu me respeito, ao sentir a pureza que cada um destes contém, e que, por mais obscuro que alguns pareçam, quando superficialmente encarados de longe, de perto nada mais são do que uma casca de proteção para poupar de qualquer ruptura um núcleo inabalado.
É essa vontade de abraçar a mim mesma cada vez que me olho no espelho, que mantém o meu sorriso estampado de batom vermelho no rosto ainda intacto. É pela certeza de que eu não escolheria ser qualquer outro alguém no mundo além de mim, que eu sigo em frente, embriagando-me de cada sensação exacerbada que carrego da vida, sustentando a responsabilidade de ser quem sou sem medidas, aparando arestas contidas, me cuidando tal como mereço.
É por lembrar daquele beijo, daquela palavra não dita, de até onde me limitei chegar para não ferir os meus princípios e tudo o mais o que eu me permiti para me fazer feliz, que posso calcular com a exatidão do mais preciso matemático o quanto sou uma perfeita moradia para mim mesma, apesar da bagunça que as vezes insiste em se fazer presente, mas que, ainda assim, sem muito esforço se ajeita. Nada melhor do que tirar alguns retratos da gaveta e ver o prazer imenso de cada momento registrado ainda que de forma estática em cada fotografia para curar qualquer impressão negativa habitada no passado.
É pelos amigos e amores que colecionei na vida, que eu posso sustentar veementemente a minha teoria de que nada seria danoso o suficiente para me derrubar. É estando agradecida seja a Deus ou a Oxalá, que amanheço e faço uma prece pra Ele me cuidar. É envolta pelo cantarolar sereno de uma melodia compassada que rege os meus dias, que fecho os olhos e me entrego ao adormecer, recitando, quase que como um mantra, as singelas palavras que o que sinto tão bem sabem descrever: obrigada, Céus, muito obrigada. Como é bom amar cada pedacinho meu, como é bom ser eu.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Me Permitir...


Você sabe que tem alguma coisa se encaminhando para a beira do precipício quando aquela música sobre amores errados começa a fazer sentido. Você sabe que tem algo mais errado ainda consigo mesma quando, mesmo ciente disto, segue em frente e salta sem a menor cerimônia.
Que tipo de ser humano sádico sou eu? Existe alguma classificação plausível para tudo isso? A minha loucura interior encontra sempre explicações tão igualmente insanas as quais eu me prendo como se disso me dependesse a vida.  A minha loucura justifica tudo, até que eu me revolte contra ela e a julgue por todas as suas artimanhas de manipulação enquanto eu me fingia de inocente só para ter a quem culpar no final das contas.
Seguir adiante com um sentimento condenado aos seus dias finais já previamente embalados por soluços e indagações nunca fez muito o meu tipo e, mesmo me crucificando por isto, sinto que vale a pena todo o desfecho digno de enredo de novela mexicana se eu puder viver ao menos breves segundos do que hoje faz moradia em mim. Talvez porque seja algo que tenha nascido livre, nada intencionado a apagar o passado e assassinar memórias.
Eu que dedicava meus dias a arquitetar mil maneiras de despistar fragmentos de um outro alguém, me vejo agora ansiando por um outro “outro alguém” que nada tem a se relacionar com as minhas tramoias e boicotes emocionais. Não existe mais um pretérito imperfeito a ser deletado. Existe uma nova perspectiva a se viver, e a ausência de amarras, atreladas ao meu desatino, que ocupa 70% da minha estrutura, me faz sentir que pode valer a pena agora que não há passado, agora que posso me reinventar.
Taí, me decidi. Vou dançar essa dança mesmo sem saber da coreografia. Vou me deliciar deste prato sem mesmo ter a menor intuição de quais sejam seus ingredientes e vou entrar nesse barco condenado a afundar ainda que sem saber o seu itinerário. Eu vou me esbaldar dessa sensação de liberdade que me prende a um novo foco. Quero sair sem guarda chuva mesmo que existam grandes possibilidades de um temporal quase que a nível catastrófico. Eu vou viver o que há pra viver e, tal como a diz a música do Jota Quest, eu vou me permitir.

sábado, 25 de maio de 2013

Renovação



Adoro o jeito como a vida segue. E segue bem, saudável, me retribuindo sorrisos bobos no canto da boca. E toca em frente. É como um fluxo inevitável e belo. Uma corrente forte de amor e luz. Me encanto com o modo com que ela cuida bem de mim e me acalenta como uma criança recém nascida no mundo. É sempre tão bom ser agraciada pelas conspirações positivas que eu, meramente humana e pequena em meio à imensidão do universo, jamais poderia retribuir, por mais que vivesse quinhentas outras vidas.
Estou feliz, meu Deus. Eu SOU feliz. E dá um orgulho tão grande em pronunciar essas palavras que bato firme no peito em um gesto de pura convicção por saber que esse é o meu momento de colher os frutos que plantei durante o tempo e que todos eles são portadores dos sabores mais doces e inexplicáveis, coisa que só quem está na pele da gente é capaz de descrever.
Eu estou colorindo o mundo, sou uma caixa de pincéis e tintas ambulante. E o vermelho do meu coração bobo e tão presente em cada uma das minhas decisões é o que mais se destaca na minha aquarela particular. Eu poderia gritar se isso não despertasse o sono dos injustos. Logo só me resta registrar nessas linhas em alto relevo, impressas pelo destino que hoje canta a sua mais original canção de satisfação e felicidade, o que já me vale de grande serventia.
Até jurei não escrever mais sobre amor, mas cá estou relatando meu ápice de paixão pelo amor próprio agora tão meu, que hoje sou a sua personificação. Vou bater com a cara no muro diversas vezes e me machucar, bem o sei, mas hoje não, hoje eu me proíbo de sofrer por antecipação. Estou vivendo de plenitude e renovação. Minha pele perdeu o que estava morto no caminho até aqui, e, agora, regozija por poder receber cada raio de sol em sua mais delicada camada e arrepiar-se com o fenômeno daquela que é responsável pelo que aqui se descreve. Aquela que nunca falha: a vida.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Lástima de Agradecimento


Estou ferida, magoada e dilacerada, mas estou sorrindo e dou graças aos céus por isso. Obrigada, Deus, pela dor aguda que se instalou nas minhas entranhas. Obrigada pelo choro que engulo feito cachaça das mais amargas. Obrigada por cada lágrima que derramei até hoje e pelos socos figurativos na boca do estômago a cada manhã que ressurjo dos meus devaneios e encaro a face suja e sangrenta da realidade.
Não, não estou sendo irônica. Eu verdadeiramente agradeço. Esses são os sintomas mais concretos de que algo ou alguém muito superior a minha capacidade limitada de compreensão pretende expurgar o gosto azedo de um sentimento envelhecido e altamente radicável do meu interior e me contento em estar preparada para ser amiga do sofrimento.  Poderemos, inclusive, andar de mãos dadas pelas esquinas do meu inconsciente até que ele se perca pra sempre.
O que me “mata” nisso tudo são os prazos, ou melhor, a ausência deles.  “Até quando?” já virou indagação rotineira. “Amor” é palavrão, dos mais sujos e inescrupulosos e a minha pouca fé torna-se diminuta diante da imensidão do eu em que habito. Sou um oceano de lembranças e uma suicida diária por me permitir afogar em cada uma delas. Mas obrigada, Deus, muito obrigada...
Pois é, estou aqui, estou bem, estou viva. Também dói, confesso. Nessa vida, eu seria a ultima pessoa para quem mentiria, e é com a mesma convicção da existência desse penar latejante que assumo, dando a cara à tapa pra vida: vou ser mais feliz do que imaginei um dia, e é sem a mínima cerimônia que eu declaro o meu mais novo apego,  o clichê da frase escrita a mão em meio a uma caligrafia trêmula, estampada na minha cabeceira e que diz: “Isso também passará”. E, sim, vai passar. E, mais o digo, posso ainda acrescentar, que pena de você quando isso for um fato plenamente consumado, que pena...